A NARRATIVA EM QUADRINHOS COMO RECURSO ANTIRRACISTA NA EDUCAÇÃO BÁSICA EM IBIASSUCÊ-BA: MEMÓRIA E IDENTIDADE EM ANGOLA JANGA
Palavras-chave:
EJA, Educação antirracista, Histórias em quadrinhos, MemóriaResumo
A pesquisa, em nível de mestrado e em fase de formulação teórica e planejamento de campo, investiga o potencial da história em quadrinhos Angola Janga: uma história de Palmares (2017), de Marcelo D’Salete, como recurso pedagógico antirracista na Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Centro Educacional de Ibiassucê (CEI) e de seus anexos rurais, no município de Ibiassucê-BA. O estudo busca compreender como a estrutura estética, iconográfica e narrativa da obra mobiliza a memória coletiva e a identidade étnico-racial, contribuindo para uma abordagem crítica da história afro-brasileira, da escravização e da resistência negra, em consonância com a Lei nº 10.639/2003. Fundamentada nas contribuições de Ramos (2020), Rojo (2012), Jenkins (2009), Ricoeur (2007), Pollak (1989) e Ribeiro (2017), a investigação compreende as histórias em quadrinhos como produções multimodais capazes de articular linguagem verbal e visual, reconstruir memórias historicamente silenciadas e favorecer o reconhecimento das identidades de grupos marginalizados. De abordagem qualitativa, base fenomenológica e caráter exploratório e descritivo (Gil, 2002), a pesquisa será desenvolvida com estudantes dos eixos IV e V da EJA, por meio de oficinas pedagógicas de leitura multimodal e letramento visual crítico, seguidas de entrevistas semiestruturadas com docentes e discentes. O material produzido será examinado mediante Análise de Conteúdo temática, conforme Bardin (1977), contemplando as etapas de pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados. A discussão teórica destaca, ainda, a importância dos saberes docentes e da experiência escolar na mediação pedagógica da obra, considerando as contribuições de Zibetti e Souza (2007) e Borges (2001). Os resultados bibliográficos preliminares indicam que a articulação entre letramento visual, memória coletiva e história afro-brasileira apresenta potencial para ampliar as possibilidades de abordagem da educação antirracista e favorecer a valorização das trajetórias e identidades dos estudantes da EJA. Espera-se que a análise da narrativa visual da resistência negra, incluindo elementos culturais e simbólicos presentes na obra, contribua para fortalecer o repertório crítico dos educandos e subsidiar práticas docentes contextualizadas, comprometidas com o enfrentamento do racismo e das perspectivas eurocêntricas no espaço escolar.
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Referências
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