SUJEITO E SABER NA TRÍADE DA LIBERTAÇÃO: UM DIÁLOGO ENTRE AUGUSTO BOAL, PAULO FREIRE E GUSTAVO GUTIÉRREZ
Palavras-chave:
Sujeito, Saber, Movimentos sociaisResumo
O texto investiga como a relação entre sujeito e saber fundamenta processos de libertação nas obras de Augusto Boal, Paulo Freire e Gustavo Gutiérrez. Parte da hipótese de que, apesar de atuarem em campos distintos teatro, educação e teologia , esses autores compartilham uma visão comum: a libertação se constrói coletivamente por meio de sujeitos ativos que produzem conhecimento a partir de sua experiência concreta. Inspirando-se em Edgar Morin para pensar a complexidade do sujeito e adotando a fenomenologia como método, a pesquisa propõe retornar aos textos para identificar as estruturas essenciais das práticas e das formas de existência que eles descrevem, suspendendo julgamentos prévios e atendendo ao “retorno às coisas mesmas”.
No Teatro do Oprimido, o espect-ator transforma-se em agente ao intervir e ensaiar novas ações sobre a realidade; na Pedagogia do Oprimido, o educando constrói saberes por meio do diálogo crítico e da problematização do mundo; na Teologia da Libertação, o conhecimento nasce da leitura crítica da situação dos pobres e do compromisso com sua emancipação. Em todos os casos, o sujeito não é um receptor passivo, e o saber não é mera transmissão: ambos se constituem mutuamente através da ação reflexiva, da práxis e da coletividade.
A pesquisa conclui que a “tríade da libertação” oferece um horizonte teórico-prático fecundo para pensar sujeitos históricos capazes de reconhecer opressões e agir politicamente para transformá-las. A libertação, assim, ultrapassa a esfera puramente política, pedagógica ou religiosa: é fruto de processos comunitários de conscientização e produção de saberes que empoderam as pessoas a re-significar e transformar sua realidade.
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Referências
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