UMA PROPOSTA DE EXPOSIÇÃO VIRTUAL: O PROJETO ARQUIVO FEMININO – MEMORIAL DE MULHERES QUE INSPIRAM
Palavras-chave:
Ensino, Memória, Produção textual, EscritaResumo
O estudo analisa a sub-representação e a marginalização das produções intelectuais desenvolvidas por mulheres na história oficial da ciência, da tecnologia, das artes e da literatura, propondo o desenvolvimento da "Exposição Virtual: Arquivo Feminino – Memorial de Mulheres que Inspiram" no âmbito do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) – Campus Almenara. A pesquisa parte da constatação de que o apagamento de trajetórias femininas decorre do conceito de "memoricídio" — o processo deliberado de eliminação da memória de resistência e da negação da participação histórica das mulheres sob o sistema patriarcal. O objetivo central consiste em construir um banco de dados e repositório digital de acesso livre para documentar, preservar e dar ampla visibilidade às biografias e contribuições de intelectuais brasileiras, utilizando a articulação entre memória institucional, tecnologia e letramento literário como estratégia pedagógica de democratização do conhecimento.
A fundamentação teórica e o percurso metodológico caracterizam-se por uma abordagem qualitativa, interdisciplinar e aplicada, embasada na conceituação de Fernando Báez e Constança Duarte sobre memoricídio, nas reflexões de Heleieth Saffioti, Fanny Tabak e Lea Velho sobre as barreiras androcêntricas na carreira científica, e no diálogo com os núcleos institucionais NEABI, NEPGES e o clube do livro Entre Páginas. A execução organiza-se em etapas integradas de levantamento bibliográfico e documental em bases como SciELO e Periódicos CAPES para identificar personalidades invisibilizadas sob critérios interseccionais (gênero, raça, classe e territorialidade). O diferencial metodológico reside na práxis educativa desenvolvida com estudantes do Ensino Médio Técnico Integrado em Informática e áreas afins, os quais participam de oficinas de leitura crítica, análise de fontes, produção de biografias e desenvolvimento técnico da arquitetura e modelagem do site da exposição.
Os resultados parciais e as discussões indicam que a inserção dos discentes na pesquisa documental e na curadoria editorial fortalece o protagonismo estudantil e aprimora o letramento científico, exercitando habilidades de escrita, revisão e normatização acadêmica. No plano tecnológico, a modelagem do sistema de gerenciamento de conteúdo prevê a estruturação do acervo por áreas temáticas como literatura, ciências, artes, tecnologia, educação e cultura. As análises destacam que o gesto de transportar essas biografias para o ambiente virtual confronta a competitividade e o modelo androcentrado das instituições acadêmicas tradicionais, oferecendo às salas de aula da Educação Básica uma ferramenta didático-pedagógica transformadora que inspira jovens estudantes a reconhecerem o campo científico e cultural como espaços legítimos de atuação feminina.
Em conclusão, o trabalho evidencia que o projeto "Exposição Virtual: Arquivo Feminino" atua como uma relevante iniciativa de combate às assimetrias de gênero e ao memoricídio epistêmico no Brasil. A pesquisa demonstra que o engajamento de discentes do ensino técnico na construção de acervos digitais promove a conscientização crítica e a apreensão de marcadores interseccionais desde as etapas iniciais da formação acadêmica. Por fim, o estudo ratifica o compromisso da extensão e do ensino público com a preservação da memória social, a equidade de gênero e a consolidação de uma historiografia mais plural, inclusiva e representativa da produção intelectual brasileira.
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Referências
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