RACIONALIDADE NEOLIBERAL, CAPITALISMO DE PLATAFORMA E DIREITOS DE TRABALHADORES(AS) NO STF: EFEITOS-SENTIDOS E SILENCIAMENTOS NA ABORDAGEM DO TEMA 1.291

Autores

Palavras-chave:

STF, Precarização do trabalho, Capitalismo de plataforma, Discurso neoliberal, Análise de discurso

Resumo

O estudo analisa o funcionamento do discurso neoliberal e da racionalidade de mercado no Supremo Tribunal Federal (STF), tomando como objeto a deliberação sobre o reconhecimento da repercussão geral do Tema 1.291 (Recurso Extraordinário nº 1.446.336), referente à existência de vínculo empregatício entre motoristas de aplicativo e plataformas digitais. A pesquisa parte da hipótese de que o discurso jurídico reproduz elementos da racionalidade do capitalismo de plataforma e da pós-democracia, ao privilegiar a liberdade econômica e a livre concorrência em detrimento dos discursos que problematizam a precarização do trabalho e a figura do empreendedor-proletário. Teórica e metodologicamente, fundamenta-se na Análise de Discurso de matriz francesa, proposta por Michel Pêcheux, articulada às contribuições de Ricardo Antunes sobre o trabalho em plataformas, Pierre Dardot e Christian Laval sobre a racionalidade neoliberal, Colin Crouch acerca da pós-democracia e Milton Santos sobre globalização perversa e cidadania mutilada. O corpus é constituído por sequências discursivas extraídas dos votos dos ministros do STF na sessão de reconhecimento da repercussão geral, examinadas quanto aos efeitos de sentido produzidos sobre as relações de trabalho. Os resultados apontam uma tensão entre o reconhecimento da relevância econômica e social da matéria e a centralidade atribuída à livre iniciativa e à autonomia contratual na fundamentação jurídica, com possíveis implicações para a visibilidade dos direitos sociais e das condições concretas de trabalho. Conclui-se que a análise discursiva permite problematizar o papel do Poder Judiciário na legitimação de modelos flexíveis de contratação e na disputa entre racionalidade neoliberal e discursos que reivindicam proteção social aos trabalhadores de plataformas digitais.

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Biografia do Autor

Luís Cláudio Aguiar Gonçalves Rocio, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Cursou o primeiro ano do Curso de Bacharelado em Administração (2003), na Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), Unidade de Vitória da Conquista/BA. É Bacharel em Direito (2010) pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Pós-Doutor (2022), Doutor (2016) e Mestre (2012) pelo Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS), também da Uesb, com intercâmbio, no caso do Mestrado, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em regime de ''mestrado sanduíche''. Mestrando em Direito pelo Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD), Associativo entre as quatro UEBA'S (UESB, UESC, UEFS E UNEB). Foi bolsista de Iniciação Científica durante a graduação, atuando no PROGRAMA DE BOLSAS DE ESTUDO NO PAÍS - Fapesb/Uesb. Membro da Asociacón Lationamericana de Estudios del Discurso (Aled), da Associação Brasileira de Linguística (Abralin), do Grupo de Estudo Linguístico do Estado de São Paulo (GEL) e do Grupo de Estudos Linguísticos do Nordeste (Gelne). É pesquisador vinculado ao Grupo de Pesquisa ''Olaria'' e ao Grupo de Pesquisa em Análise do Discurso (GPADis), cadastrados no CNPq e autorizados pela UESB, com experiência na área de Linguística, ênfase em Análise de Discurso, atuando principalmente nos seguintes temas: memória discursiva e interpretação; posição-sujeito e efeitos de sentido; discurso político e discurso jurídico; corrupção política e Lei da ''Ficha Limpa''; filosofia e hermenêutica jurídica; corrupção, desconfiança política e representatividade popular; pós-democracia e flexibilização/precarização das relações de trabalho; cidadania, vulnerabilidades e territorialidade. Atualmente, além de sua militância como advogado, nas áreas de Direito do Consumidor e de Direito do Trabalho, é também servidor efetivo da Uesb, ocupando o cargo de Analista Universitário - Direito, e lotado na Procuradoria Jurídica da aludida Instituição.

Maria Soledade Soares Cruzes, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Doutora em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestra em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), tendo atuado, como Pesquisadora-Bolsista pela FAPESB. Possui Pós-graduação Lato Sensu em Direito Processual: Grandes Transformações, pela UNAMA/Rede LFG (2007). Graduada em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). É professora, em regime de dedicação exclusiva, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Professora efetiva do Programa de Pós-graduação em Direito em formato associativo UEFS/UESB/UESC/UNEB. Pesquisadora líder do OLARIA - Grupo de Pesquisa em Trabalho, Direito e Democracia (UESB) e responsável pelo projeto de pesquisa Pós-democracia e Direito do Trabalho no Brasil: análise sob a perspectiva da Reforma Trabalhista. Professora Tutora do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET/Saúde - Equidade - 2025/2026). Áreas de interesse: Direito do Trabalho; Territorialidade; Democracia e Pós-democracia.

Referências

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Publicado

2026-11-04