UM PONTO DE REFERENCIA FORÇADO”: SENTIDOS DA PALAVRA “ESCRAVIDÃO” EM UM TEXTO DA IMPRENSA BRASILEIRA NOVECENTISTA
Palavras-chave:
Escravidão, Folha da Manhã, Semântica do AcontecimentoResumo
O presente trabalho analisa os sentidos da palavra “escravidão” no Brasil pós-abolição, a partir de excertos de uma matéria publicada pelo jornal Folha da Manhã, em 13 de maio de 1938, em São Paulo, sob o título “O cinquentenário da Abolição – Onde esteve o mal, segundo Nabuco – A escravidão e suas consequências”. Vinculada a uma pesquisa de doutorado em andamento no Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), a investigação fundamenta-se nos pressupostos teórico-metodológicos da Semântica do Acontecimento, conforme Guimarães (2002, 2007, 2009, 2011, 2018), que compreende os sentidos como constituídos na enunciação. Metodologicamente, foram selecionados dois recortes do texto jornalístico, analisados por meio dos procedimentos de reescrituração e articulação, que possibilitaram identificar as relações semânticas estabelecidas nos enunciados e construir o Domínio Semântico de Determinação (DSD) da palavra investigada. Os resultados evidenciam que “escravidão” é significada como obstáculo ao desenvolvimento econômico e à modernização do país, além de ser associada à produção de efeitos sociais, intelectuais e culturais duradouros. Os excertos também relacionam o sistema escravista à pobreza da população livre e à organização das relações de trabalho, atribuindo à escravidão um papel central na interpretação da formação histórica brasileira. Conclui-se que, no texto analisado, a designação de “escravidão” articula sentidos de retrocesso econômico, desigualdade social e permanência histórica, evidenciando como a linguagem participa da construção de interpretações sobre o passado e suas relações com o presente.
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Referências
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