O FAZER DOCUMENTAL COMO VISIBILIZAÇÃO DE REDES DE CUIDADO: O VOLUNTARIADO DA CASA DA VIDA COMO MOBILIZAÇÃO SOCIAL MICROPOLÍTICA

Autores

Palavras-chave:

Documentário, Redes de cuidado, Mobilização social, Sociedade civil, Casa da Vida

Resumo

Este trabalho integra a pesquisa em desenvolvimento para o documentário Memória (in)Voluntária, Trabalho de Conclusão de Curso em Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). O filme, concebido como curta-metragem de 15 a 20 minutos, acompanha três voluntários da Casa da Vida, instituição de Vitória da Conquista (BA) que acolhe gratuitamente acompanhantes de pacientes internados na UTI do Hospital Geral do município que não residem em Vitória da Conquista. Fundada em 2017, a Casa da Vida mantém suas atividades por meio do trabalho voluntário e de doações da comunidade. A atuação de seus voluntários evidencia uma rede de cuidado construída por vínculos cotidianos e informais, constituída no âmbito da sociedade civil e sustentada pela permanência de pessoas que assumem coletivamente a manutenção da instituição. Nesse sentido, o objeto deste trabalho dialoga com as discussões propostas pelo Colóquio Temático 04 – Estado, Nação e Movimentos Sociais na (Des)Ordem Global do Século XXI, ao investigar como iniciativas da sociedade civil emergem para responder a lacunas da assistência pública em saúde, constituindo formas de mobilização social baseadas no cuidado.

O objetivo deste trabalho é refletir sobre o documentário em desenvolvimento como instrumento de visibilização dessas redes de cuidado e sobre o papel do audiovisual na construção de narrativas capazes de evidenciar formas de mobilização social constituídas no cotidiano. Parte-se da hipótese de que o cinema documental, ao acompanhar os voluntários sem reduzi-los a representantes institucionais, torna visíveis modalidades de ação coletiva que escapam às formas tradicionais de organização dos movimentos sociais, aproximando-se das redes de mobilização descritas por Scherer-Warren (1996). A discussão fundamenta-se nas contribuições de Scherer-Warren (1996), ao compreender a ação coletiva a partir de articulações informais, e de Tronto (1993), que concebe o cuidado como questão política e social. Essas perspectivas dialogam com a literatura recente sobre políticas do cuidado no Brasil (ARAÚJO et al., 2024) e orientam tanto a reflexão teórica quanto a proposta metodológica do documentário.

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Biografia do Autor

Raquel Nunes dos Santos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Bahia, Brasil

Estudante de Cinema e Audiovisual na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Bolsista no projeto de extensão Museu Pedagógico da UESB e estagiária de comunicação da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA). Produtora do Cineclube Película e responsável pela produção e comunicação da Mostra Universitária Filmes de Mochila 1 edição. Dirigiu o curta-metragem A Bailarina, exibido no GIRA Festival de Cinema de Salvador 2024. Atuou como diretora de fotografia no filme Flores de Ofélia e realizou o documentário de bastidores Depois do Corta.

Rogério Luiz Silva de Oliveira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Bahia, Brasil

Concluiu doutorado (2016) no Programa em Memória: linguagem e sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, com a tese ''Memória e Criação na Direção de Fotografia'', publicada pela Editora Multifoco (2023). Mestre (2011), pelo mesmo Programa, com a dissertação ''Fotografia e Memória: a criação de passados'', publicada, com o mesmo título, pela Edições UESB. No mestrado, foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES. É integrante do grupo de pesquisa Cultura, Memória e Desenvolvimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPQ, vinculado à Universidade de Brasília - UNB (http://www.culturaememoria.com.br/) e pesquisador do grupo de pesquisa ''Cinematografia, Expressão e Pensamento'', vinculado à Universidade Federal Fluminense - UFF. Professor titular do curso de Cinema e Audiovisual da UESB, com dedicação exclusiva. Docente do Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade / UESB. Faz direção de fotografia de trabalhos audiovisuais. É sócio da Associação Brasileira de Cinematografia - ABC, como professor de cinematografia e membro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual - SOCINE.

Isabela Quadros Fernandes, Universidade do Estado da Bahia

Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), com certificação CPA-20 e experiência profissional na área financeira. É servidora pública do Estado, com atuação profissional na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Ao longo da minha trajetória profissional, buscou ampliar sua formação acadêmica e desenvolver novos conhecimentos por meio do estudo e da pesquisa. Possue interesse em questões relacionadas aos processos educacionais, à formação de professores e às práticas inclusivas, especialmente no que se refere aos desafios do aluno deficiente auditivo dentro das universidades. Atualmente, direciona sua trajetória acadêmica para o aprofundamento de estudos na área educacional, com foco na pesquisa e na produção de conhecimentos que possam contribuir para a compreensão e o aprimoramento dos processos de formação e inclusão.

Referências

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Publicado

2026-11-04