REEXISTÊNCIAS POSSÍVEIS: A LEITURA LITERÁRIA COMO PRÁTICA DE PRODUÇÃO DE SENTIDOS NO CÁRCERE
Palavras-chave:
Literatura, Educação prisional, Sistema prisional, Reexistência, Racismo estruturalResumo
O Brasil apresenta elevados índices de desigualdade social, racismo estrutural e encarceramento, realidade que atinge de forma desproporcional a população negra e evidencia a permanência de mecanismos de exclusão e negação de direitos. Nesse contexto, a literatura pode assumir um papel que ultrapassa o incentivo à leitura e a remição da pena, constituindo-se como prática educativa capaz de favorecer a formação crítica de pessoas privadas de liberdade. Este trabalho tem como objetivo refletir sobre o potencial da literatura como instrumento de reexistência e produção de sentidos no contexto prisional brasileiro. Trata-se de um ensaio teórico fundamentado na análise de literatura científica, documentos oficiais e obras literárias que abordam temas relacionados ao encarceramento, ao racismo estrutural, à desigualdade social e à educação em prisões. A discussão evidencia que a leitura literária pode contribuir para a compreensão crítica das estruturas sociais que atravessam as trajetórias da população encarcerada, favorecendo processos de identificação, reflexão e ressignificação da própria realidade. Obras que tematizam exclusão, violência e marginalização ampliam o potencial humanizador da leitura e possibilitam o fortalecimento da consciência crítica. Conclui-se que a literatura pode constituir-se como estratégia de reexistência, reafirmando seu papel educativo, político e humanizador e ampliando as possibilidades de formação crítica e garantia de direitos no ambiente prisional.
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Referências
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