MEMÓRIA TRAUMÁTICA DE MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL: UMA ANÁLISE DAS DECISÕES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA

Autores

Palavras-chave:

Memória traumática, Tribunal de Justiça da Bahia, Análise do discurso, Credibilidade da vítima, Violência sexual

Resumo

A violência sexual constitui uma das mais graves violações aos direitos humanos das mulheres, produzindo consequências físicas, psicológicas e sociais que repercutem diretamente na forma como as vítimas recordam e narram os acontecimentos vivenciados. A literatura especializada demonstra que experiências traumáticas frequentemente produzem narrativas fragmentadas, lacunas de memória, inconsistências cronológicas e silêncios, características inerentes ao funcionamento da memória traumática e que não devem ser interpretadas como indicadores de falsidade do relato. Entretanto, observa-se que o sistema de justiça, historicamente estruturado sobre parâmetros de racionalidade e linearidade narrativa, ainda apresenta dificuldades em reconhecer tais manifestações como efeitos esperados do trauma. Nesse contexto, este trabalho objetiva analisar como o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) reconhece, incorpora ou desconsidera as manifestações da memória traumática de mulheres vítimas de violência sexual na fundamentação de suas decisões judiciais. Adota-se uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e documental, fundamentada na Análise do Discurso de orientação francesa, especialmente nas contribuições de Michel Foucault, articuladas aos estudos sobre memória coletiva de Maurice Halbwachs, memória traumática de Bessel van der Kolk, Cathy Caruth e Judith Herman, bem como às reflexões de Michael Pollak acerca da memória, do silêncio e do esquecimento. Espera-se demonstrar que a forma como o discurso jurídico interpreta as características da memória traumática influencia diretamente a atribuição de credibilidade às vítimas e, consequentemente, a efetividade da tutela jurisdicional nos crimes de violência sexual.

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Biografia do Autor

Jose Amaral Nascimento, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Desde 1996 quando iniciei a apresentação de programa jornalístico em emissora de rádio tenho acompanhado as dificuldades das pessoas de baixo poder aquisitivo financeiro as políticas públicas e de lá para cá não parei. Em 2009 concluir o curso de Ciências Contábeis (FAINOR) com olhar a contabilidade pública, assumir o setor de liquidação do SAAE de Itapetinga, quando me especializei em Auditoria e Gestão Tributária (FAINOR). Nomeado ouvidor municipal em 2010. Vereador entre 2013 a 2016, nesse mesmo ano, concluir o curso de Licenciatura em Pedagogia (UESB), defendendo a tese no TCC sobre a aplicação dos recursos públicos na educação. Especializei em Gestão Pública (UESC) 2018 e bacharelado em Direito (UNEX) 2024.Em 2023, contando com a participação de mais dois colegas tive publicado o artigo cientifico Análise da implementação das cotas raciais no ensino superior brasileiro: desafios jurídicos e reflexões sobre equidade, na Contemporânea Contemporary Journal3(9): 15894-15917, 2023, SSN: 2447-0961, que retrata a implementação de cotas raciais no ensino brasileiro.Interessado em estudar com maior profundidade o Estatuto da Cidade, observador PDDU, PPA, LDO e LOA da cidade que escolhi para viver. Acompanho a dificuldade de acesso das pessoas às políticas públicas, os entraves jurídicos e a baixa participação popular nas tomadas de decisões pelo poder público.

Referências

CARUTH, Cathy. Unclaimed Experience: Trauma, Narrative, and History. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1996.

FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. 8. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2017.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. 24. ed. São Paulo: Loyola, 2014.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.

HERMAN, Judith Lewis. Trauma e recuperação: as consequências da violência – do abuso doméstico ao terror político. São Paulo: Ubu Editora, 2023.

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RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Editora da UNICAMP, 2007.

VAN DER KOLK, Bessel. O corpo guarda as marcas: cérebro, mente e corpo na cura do trauma. Rio de Janeiro: Sextante, 2020.

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Publicado

2026-11-04