FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS ANTIRRACISTAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CONTRIBUIÇÕES DO PIBID

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Palavras-chave:

Formação docente, Educação antirracista, Educação infantil, Literatura infantil, PIBID

Resumo

A educação antirracista constitui uma dimensão indispensável da prática pedagógica na Educação Infantil, momento crucial em que as crianças constroem suas primeiras referências de identidade e pertencimento. Partindo da premissa de que o racismo estrutural atravessa os espaços institucionais e educativos, o estudo analisa as contribuições do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), vinculada à Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), para a formação inicial docente e o desenvolvimento de práticas de equidade racial. A investigação insere-se no Subprojeto de Pedagogia “Afro-Alfabetizar nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e a Ludicidade na Educação Infantil”, pautado na valorização das histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas, conforme orientam as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. Metodologicamente, a investigação caracteriza-se como uma pesquisa-ação qualitativa e exploratória, realizada em uma escola da rede pública municipal de Ilhéus (BA) com uma turma de Educação Infantil de quatro e cinco anos. A práxis investigativa envolveu uma graduanda bolsista do PIBID, a professora supervisora e os estudantes. Por meio de observação participante, registros em diários de campo e escuta sensível das narrativas infantis, os dados foram produzidos a partir da intervenção pedagógica que culminou na elaboração e contação da história autoral "O Cabelo de Zuri", idealizada a partir do referencial da afroalfabetização e dos estudos sobre racismo estrutural e literatura infantil antirracista.

Os resultados obtidos evidenciaram que as crianças, mesmo em idade pouca avançada, já demonstram a assimilação de padrões de beleza estéticos racializados e eurocêntricos, manifestados em episódios cotidianos nos quais o cabelo liso era associado à beleza em detrimento do crespo. Frente a esse diagnóstico, a inserção da narrativa "O Cabelo de Zuri" atuou como um recurso pedagógico potente para desconstruir estereótipos, fortalecer a autoestima das crianças negras e ampliar a representatividade na sala de aula, rompendo com a "história única". Simultaneamente, a experiência no PIBID propiciou à licencianda uma formação crítica e engajada, na qual a articulação entre teoria e prática permitiu vivenciar o planejamento e a execução de estratégias comprometidas com a transformação social. Em conclusão, o trabalho reitera que a literatura infantil e a ludicidade afro-referenciada são ferramentas fundamentais para a afirmação das identidades étnico-raciais e o combate às opressões no ambiente escolar desde os primeiros anos de vida. Evidencia-se, assim, a centralidade de políticas públicas de formação docente como o PIBID para instrumentalizar futuros professores a atuarem de forma consciente e intencional na consolidação de uma Educação Infantil genuinamente antirracista.

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Biografia do Autor

Dayane De Souza Lima, Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia, Brasil

Graduanda em Pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste de Santa Cruz.

Jussara Tânia Silva Moreira , Universidade Estadual de Santa Cruz

Possui graduação em Pedagogia e especialização em Psicopedagogia pela Universidade Estadual de Santa Cruz, mestrado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2009) e doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2016). Atualmente é professora adjunta da Universidade Estadual de Santa Cruz . Atua na área de Política e Legislação da Educação, com ênfase em legislação, escola, ensino, gestão, saberes e práticas da docência, formação para o currículo da Escola do Campo, , processo educativo e quilombos contemporâneos. Coordena o Projeto de Extensão Diálogos Pedagógicos, Coordenadora de Área do Sub Projeto de Pedagogia, vinculado ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), e compõe a equipe institucional do FORMACAMPO.

Referências

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Publicado

2026-11-04