OS BLOCOS AFRO-CULTURAIS DE BELMONTE-BAHIA: UMA CARTOGRAFIA AFRO-CULTURAL PARA O ENSINO DAS RELAÇÕES ÉTICO-RACIAIS
Palavras-chave:
Cultura Negra, Relações Étnico-Raciais, Afro-rizomaResumo
O presente estudo analisa como os blocos afro-carnavalescos de Belmonte, no sul da Bahia, com destaque para o bloco Nagôs Africanas, produzem saberes e espaços educativos na interseção entre corpo, bloco e cidade. A pesquisa problematiza o adultocentrismo e os modelos institucionalizados de ensino das relações étnico-raciais, destacando as possibilidades de aprendizagem e afirmação identitária construídas por meio da corporalidade, da oralidade, da musicalidade e das relações comunitárias. O referencial teórico fundamenta-se nas contribuições de Eliana Póvoas Brito e Nilma Lino Gomes, articuladas à concepção de rizoma de Deleuze e Guattari e aos pressupostos da História Oral de Verena Alberti. Metodologicamente, adota-se a Cartografia, compreendendo o território como um campo dinâmico de conexões sociais, culturais e afetivas, em diálogo com entrevistas gravadas e roteiros estruturados destinados aos participantes dos blocos. As discussões evidenciam o potencial dessas agremiações como espaços educativos não formais, nos quais os ritmos, os tambores, as práticas coletivas e as experiências compartilhadas favorecem a transmissão de conhecimentos sobre a história e a cultura afro-brasileira, bem como o respeito à religiosidade e à preservação da memória. Conclui-se que os blocos afro-carnavalescos constituem espaços de produção de aprendizagens visuais, sonoras e corporais que ampliam as possibilidades educativas para além da escola formal. Desse modo, contribuem para a valorização das identidades negras, o enfrentamento dos estereótipos raciais e a efetivação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, fortalecendo práticas educativas comprometidas com uma sociedade antirracista.
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