ENTRE O ENGENHO E O ILÊ: APRENDIZAGEM, TERRITÓRIO E DIÁSPORA NO ILÊ AXÉ IJEXÁ ORIXÁ OLUFON (ITABUNA- BA)

Autores

Palavras-chave:

Terreiro de candomblé, Diáspora Africana, Memória e resistência, Historiografia atlântica, Itabuna (BA)

Resumo

O presente trabalho tem como objeto de pesquisa o Ilê Axé Ijexá Orixá Olufon, terreiro de candomblé de nação nagô-ijexá, consagrado ao orixá Oxalufã, fundado em 1975 no bairro Santa Inês, na cidade de Itabuna, sul da Bahia. A casa é reconhecida, na historiografia local, como desdobramento direto da trajetória de Inês Maria, de nome nagô Mejigã, mulher ijexá escravizada no Engenho de Santana, na região cacaueira, que, segundo a memória oral preservada por seus descendentes, tornou-se sacerdotisa de Oxum após adoecer, ser dada como morta e refugiar-se na Mata do Camacan (SILVEIRA, 2012). Dessa experiência de fuga e reconstituição da vida em liberdade nasceu, décadas mais tarde, a comunidade de axé que hoje ocupa o bairro Santa Inês.

O problema que orienta esta pesquisa parte de uma constatação: a historiografia sobre terreiros de candomblé na Bahia concentra-se no eixo Salvador-Recôncavo, deixando pouco espaço para comunidades de matriz africana consolidadas no Sul da Bahia, região historicamente definida pela economia cacaueira e pela migração de populações escravizadas para as fazendas de cacau no século XIX. O Ilê Axé Ijexá Orixá Olufon, por sua origem vinculada a um engenho e por sua posterior inserção na malha urbana de Itabuna, oferece um caso produtivo para deslocar esse eixo e pensar a diáspora africana no Atlântico Sul a partir de suas margens regionais.

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Biografia do Autor

Beatriz Pinheiro Muniz, Universidade Estadual de Santa Cruz

Graduada em História pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Mestranda no Programa de Pós-Graduação Profissional em Educação (PPGE-UESC). Atua como pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Política e História da Educação (GRUPPHED/UESC). É membro integrante do Grupo de Pesquisa PORTAL DO BICENTENÁRIO (CNPq) e do Projeto de Extensão PORTAL DO BICENTENÁRIO: 200 anos de escolas públicas no Brasil (PROEX/UESC). Desenvolve pesquisas na área da História da Educação, Ensino de História, Educação das Relações Étnico-raciais e História e Cultura afro-brasileira, investigando os impactos hegemônico-colonialistas dentro do ensino, bem como Pedagogias de Terreiro.

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Publicado

2026-11-04