REORGANIZAÇÃO DOS ESPAÇOS URBANOS BRASILEIROS: a segregação dos terreiros de matriz africana
Palavras-chave:
Ensino, Racismo, Segregação socioespacialResumo
O processo de formação das cidades brasileiras foi pautado sobre um método eugenista e embranquecedor de seus espaços. Os centros urbanos passaram por reformas que adotavam um projeto de “limpeza” das habitações coletivas que consistiam nos territórios negros após o final da escravidão. Percebe-se que seus espaços culturais e religiosos – seus terreiros – se tornaram locais de resistência, de sobrevivência de seus adeptos e sua principal forma de expressão de resistência no espaço urbano. Os espaços religiosos de matriz africana foram se afastando para os limites das cidades e consolidando o processo de segregação socioespacial. Para a manutenção do poderio daqueles que sempre foram vitoriosos sobre o espaço físico, eram realizados ataques aos costumes e moral dos grupos que desejavam segregar, estereotipando e marginalizando suas populações. Com base nesses conceitos, procura-se problematizar como os terreiros de matriz africana têm sido afetados pelas políticas públicas que causaram a segregação socioespacial. Portanto, é importante entender a localização destes espaços para analisar sua distribuição geográfica e fornecer dados para movimentos de autopreservação, autoconhecimento de suas histórias e para pesquisas acadêmicas e da comunidade. Também servem como diretrizes para a (re)formulação de políticas públicas que venham a combater a especulação e a segregação socioespacial. Logo, um importante aliado para registrar esse processo é o mapeamento dos terreiros fazendo o registro dos locais dessas comunidades. Seus resultados servem, além de fontes de conhecimentos, como instrumentos pedagógicos para uma maior interculturalidade na educação, ao apresentar a realidade das religiões de matriz africanas nos espaços escolares.
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