PLANTAS QUE FALAM. DISCUSSÃO SOBRE A GRANDE BATALHA PLATÔNICO-ARISTOTÉLICA CONTRA O LOGOS SOFÍSTICO, SEGUNDO BÁRBARA CASSIN
Palavras-chave:
Sofística, Metafísica, Linguagem, Logos, CassinResumo
A herança da tradição metafísica platônico-aristotélica reproduziu a crença na identidade, na verdade, no ser, como algo indistinto do próprio discurso. Assim, o pensamento filosófico, erguido a partir da lógica formal da gramática, não só passou a dizer o pensamento conceitual, mas também a determinar o que pode e o que não pode ser dito. Ora, é possível que algo exista fora do mundo do sentido? Se o homem é o ser dotado de logos e o logos exige sentido, então o homem que não participa desse modelo tradicional de sentido é não-humano? Essa forma de pensar o mundo como linguagem, regida pelas regras balizadoras do sentido, constrói um conhecimento fictício sobre a realidade, vez que a ideia de verdade e identidade reduz a vida, que é heterogênea e imensurável, em algo idêntico, único, fixo, mensurável. Diferente da visão objetivista da linguagem, onde significante e significado possuem correspondência, a sofística pensa a linguagem de forma não-objetiva, onde o devir, o múltiplo, a relação entre os corpos, formam um sistema de opinião-consenso diferente da lógica sentido-verdade. Por conta disso, a sofística foi rejeitada pela tradição metafísica por dizer o falso e, acusada de utilizar da retórica e dos demais recursos do logos com o único intuito de persuadir e convencer, foi apenada a uma posição pseudofilosófica na história do pensamento. Diante disso, a filósofa Barbara Cassin propõe uma revisão desse movimento de desvalorização e marginalização do discurso sofista, apresentando uma tendência contemporânea de "reabilitação" da sofística que reconhece a revolução humanística operada por tal pensamento. Para isso, Cassin precisa combater, assim como fez Nietzsche, uma tradição filosófica hegemônica que despreza tudo que não foi absorvido pelo logos filosófico-metafísico. O que propõe Cassin, na verdade, é subverter o modelo rígido lógico-gramatical criado e elevado à categoria de verdade, para assim evidenciar outras formas móveis e não excludentes de ver a realidade que possam fazer o papel do elemento outro diante da metafísica tradicional.
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