ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA NAS TRAJETÓRIAS DE MULHERES FORRAS - RIO DE CONTAS, 1730-1750
Palavras-chave:
Escravidão, Estratégias de sobrevivência, Mulheres forrasResumo
Diante da invisibilidade imposta às mulheres anônimas e marginalizadas por um passado colonial, este trabalho busca evidenciar, minimamente, suas histórias de vida, percebendo suas estratégias de sobrevivência, trabalhos cotidianos e suas relações sociais, que compuseram e contribuíram para a formação da sociedade sertaneja setecentista. O foco principal recai sobre a trajetória de mulheres forras que viveram na região da Vila de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio das Contas, entre os anos de 1730 a 1750, período de colonização e povoamento dos sertões baianos. Ancorada na abordagem microssocial do cotidiano, foram analisadas fontes primárias, como os inventários post-mortem e os processos crime que envolvem tais mulheres. Estas fontes, localizadas no Arquivo Público de Rio de Contas (AMRC), possibilitam investigar suas ações para além dos aspectos estritamente normativos relegados ao gênero feminino. Com base nas informações localizadas nesses documentos é possível inferir sobre suas relações sociais, dinâmicas de trabalho, ações de resistência e improvisação, que evidenciam, sobretudo, suas estratégias de sobrevivência diante da escravização. Com essa premissa foi realizada uma análise pormenorizada desses documentos, verificando as condições de vida das mulheres forras a fim de recompor minimamente seu cotidiano. Assim, foi possível resgatar fragmentos de trajetórias de três mulheres forras, cujos nomes são Tereza de Araújo, Juliana da Costa e Juliana Ribeiro. Essas mulheres estabeleceram relações sociais com figuras em posições hierárquicas superiores, amealharam pecúlio com seu trabalho para sua sobrevivência e de outros e fizeram movimentações pontuais visando objetivos bem delimitados. Seus movimentos diários para lutar por suas vidas, seja em instâncias judiciais, públicas ou privadas, compuseram o rol de resistências cotidianas. Portanto, suas histórias de vida revelam práticas nada convencionais que compuseram a realidade dos sertões baianos. Elas ajudam a desmistificar conceitos hegemônicos sobrepujados a explicações genéricas sobre o cotidiano de tantos indivíduos anônimos. Investigar suas ações é colocá-las como protagonistas das suas próprias histórias, é percebê-las como agentes ativas na estruturação do espaço que ocupavam, ressignificando suas atuações.
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Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

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