A naturalização da biopolítica na estética de Westworld
Palavras-chave:
Biopolítica, Westworld, Política, Regime estéticoResumo
Os movimentos sociais emergidos no período de 2013 a 2016 almejam em sua estética a naturalização da biopolítica, tendo em foco a desvalorização da vida da população brasileira. Ao estabelecer um regime ético e poético voltados para a propagação do discurso situacionista, o Movimento Brasil Livre incentiva no imaginário das massas a instauração de políticas de morte através do discurso estético da guerra continuada dentro da sociedade civil por meio da governabilidade em prol da vida de alguns pela negligência de outras. A proposta inicial da pesquisa buscava investigar as movimentações midiáticas feitas pelo Movimento Brasil Livre que serviram de gatilho para que as relações sociais de grupos vinculados ao movimento fossem permeadas pela hierarquização do direito à vida, entretanto, compreendendo a raíz colonialista do pensamento biopolítico a presente pesquisa distancia-se da sua proposta inicial para abarcar a influência de produtos audiovisuais hollywoodianos distribuídos pela aclamada plataforma de streaming Home Box Office (HBO) na manutenção da biopolítica. Nesse sentido, a pesquisa passa a analisar os comuns discursos controlados em sua criação, partilhados entre os modos de fazer das obras norte americanas distribuídas internacionalmente, tendo como objeto a série Westworld (2016), dirigida por Jonathan Nolan e Lisa Joy, trazendo uma estética atualizada dos dois grandes gêneros: western e ficção científica. Destarte, a legitimação da violência é representada entre os gêneros estadunidenses populares pela desumanização do antagonista, demonstrando a "eliminação da ameaça" como um dever a ser cumprido para o bem geral, sendo assim, passa-se a ser observados elementos estéticos voltados à dicotomia para simbolizar a luta pela sobrevivência através da docilização e extermínio de corpos não contemplados pelo reconhecimento social. Para a conceituação da partilha do sensível foi utilizado o autor Jacques Rancière (2009) em
sua teoria político e estética, onde é demonstrado a arte como um campo de batalha discursiva capaz de legitimar ou denunciar a norma vigente nas relações sociais se apropriando do regime ético e poético. O filósofo Michel Foucault é incorporado na análise através da teoria disciplinar e de governabilidade, ambas permeadas pelo dispositivo biopolítico.
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