O eurocentrismo nos livros didáticos do sexto ano: A História Antiga e a BNCC
Palavras-chave:
Base Nacional Comum Curricular, Eurocentrismo, História AntigaResumo
Os livros didáticos dos anos finais do ensino fundamental que estão embasados na última versão da BNCC, tem reproduzido o caráter eurocêntrico e evolucionista na abordagem da História Antiga. O processo de ensino de História Antiga é iniciado nas sociedades do AOP (Egito e Mesopotâmia), e posteriormente, temos a emersão das sociedades Gregas e Romanas que por fim dariam origem as sociedades europeias. Diante disso, vemos que o ensino dessas civilizações está condicionado as concepções eurocêntricas, com periodizações de sentido político que são encontrados nos documentos textuais. Sendo assim, devemos questionar as intencionalidades presentes nesse tipo de discurso que está estruturalizado desde a escolha das fontes utilizadas no estudo da História Antiga; com pouca disponibilidade de documentos, privilegia o material produzido pela elite e corrobora a visão do “Ocidente” civilizado, no qual reforça a perspectiva de “despotismo Oriental”, o mito das origens numa linha evolucionista e o difusionismo. Estas noções são historicamente construídas e não devem ser apresentadas de forma natural, como aparecem em grande parte nos livros didáticos. Devemos desconstruir o recorte cronológico e a ideia de origem atribuídos à História do Antigo Oriente Próximo (AOP), paradigma que tende a universalizar e reforçar o ideal de progresso. Ao não tratar as especificidades de cada região, e o longo processo histórico a que está submetido, não se destacas diversidades socioculturais existentes na História Antiga Oriental, por exemplo, que permite um contraste com nossa realidade por meio das permanências e mudanças ao longo do tempo. Portanto, para que o ensino da Antiguidade se perpetue nos currículos escolares da educação básica, é necessário discutir para além do currículo, estratégias didáticas que, aliadas ao livro didático, contribua na formação de indivíduos capazes de desenvolver a alteridade e a empatia histórica. Sendo assim, defendemos um ensino do antigo Oriente que problematize os usos do passado, questionando conceitos pré-estabelecidos através das narrativas históricas construídas após a época moderna e rompendo com as barreiras que persistem entre as discussões acadêmicas e a educação básica.
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