A carnavalização em fanfics exibidas na plataforma Tiktok: diferenças e semelhanças com sites convencionais de publicação
Palavras-chave:
Carnavalização, TikTok, FanficResumo
A ascensão da Web 2.0 no século XXI trouxe mudanças no que se refere às formas de produção e recepção de textos. Neste cenário, surgem as fanfictions, um gênero digital que consiste em narrativas escritas, editadas e publicadas por fãs em plataformas de autopublicação, cuja produção se destaca por alterações na posição de leitor/escritor. Tal inversão de papéis dialoga com o fenômeno da carnavalização, tida como “a transposição para a arte do espírito carnavalesco” (BAKHTIN, 1996). O carnaval bakhtiniano refere-se às festividades da Idade Média e do Renascimento, nas quais o oficial (hierarquia, normas, etc.) é desestabilizado. Para essa pesquisa, elegemos o TikTok e o Wattpad como ambientes de análise, com o objetivo de investigar como a carnavalização se manifesta em fanfics exibidas nessas plataformas. Mais especificamente, empreendemos um estudo comparativo entre os dois ambientes de publicação, buscando semelhanças e diferenças do gênero em ambos no que diz respeito ao conceito bakhtiniano de carnavalização, tendo em vista o crescente uso da plataforma TikTok e a popularização das fanfictions no mundo. Para tal, guiamos nossa pesquisa sob o suporte teórico dos postulados de Bakhtin (2011) acerca de gêneros discursivos e suas (re)elaborações; Bakhtin (1987) e (1929) acerca da teoria da carnavalização; Xavier (2010) acerca do (hiper)texto; e Rojo (2013), acerca do conceito de multimodalidade. Além disso, reunimos um corpus composto por uma fanfic tradicional e quatro vídeos de TikTok, dos quais elegemos para análise: “A aposta”, do usuário @bezmalfoy no Wattpad; e um vídeo da usuária @k.bugajewska no TikTok. Por fim, concluímos que o gênero discursivo digital vídeo de TikTok apresenta características carnavalizadas, mas em menor grau quando comparada à plataforma convencional.
Agência de fomento: UESB
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Referências
BAKHTIN, M. A estética da criação verbal. Trad. PEREIRA, M. E. G. São Paulo: Martins Fontes, 1997. (Original de 1979).
BAKHTIN, Mikhail. Cultura Popular na Idade Média: o contexto de François Rabelais. São Paulo-Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1996.
BAKHTIN, Mikhail. Problemas da Poética de Dostoievski. 2010.
POSSENTI, Sírio. Notas sobre a questão da autoria. Matraga-Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, v. 20, n. 32, 2013.
ROJO, R. H. R; BARBOSA, J. P. Como se organizam os gêneros. In: ROJO, R. H. R; BARBOSA, J. P. Hipermodernidade, multiletramentos e gêneros discursivos. 1. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2015. p. 85-112.
XAVIER, A. C. Leitura, texto e hipertexto. In: MARCUSCHI, L. A.; XAVIER, A. C. Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção de sentido. São Paulo: Cortez, 2009. P. 170-180.
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Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

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