A METÁFORA FLORAL: UM ESTUDO DA AGUDEZA NA POÉTICA SEISCENTISTA

Autores

  • Vitória Helena Oliveira da Silva Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
  • Marcello Moreira

Palavras-chave:

Agudeza Seiscentista Fênix Renascida Metáfora floral

Resumo

Este estudo de Iniciação Científica investiga o uso da metáfora floral na poesia portuguesa do século XVII, mais especificamente na antologia A Fênix Renascida. A pesquisa examina a construção deste tropo a partir dos pilares retórico-poéticos do período: a imitatio (imitação de autoridades clássicas), a emulação (sua superação criativa) e a agudeza (a arte de elaborar conceitos engenhosos e surpreendentes). No que concerne à fundamentação teórica, nos ancoramos nos pressupostos de Aristóteles Aristóteles [384 a.C. - 322 a.C.] (1979), Gracián ([1648] 2001) e Tesauro (1670) sobre a agudeza e o lugar que a metáfora assume nela. Ademais, valemo-nos de teóricos como Lausberg (1972) e Carvalho (2007), que oferecem uma leitura historicamente situada do fenômeno. A metodologia utilizada combinou revisão bibliográfica, seleção de corpus e análise retórico-poética detalhada do soneto À Rosa (A Fênix Renascida, tomo I), categorizando as metáforas florais encontradas em três eixos temáticos principais: a vanitas, a moralização e o religioso. Por fim, a análise demonstrou que a metáfora floral, longe de ser mero adorno, opera como um sofisticado instrumento de agudeza, uma vez que articula a tradição clássica com o engenho seiscentista para cumprir os objetivos retóricos de instruir, comover e deleitar o leitor, revelando-se central para a poética seiscentista.

Agência de fomento: CNPq

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Referências

ARISTÓTELES. Arte retórica e arte poética. Tradução Antônio Pinto de Carvalho. Rio de Janeiro: Ediouro, 1979.

CARVALHO, Maria do Socorro Fernandes de. Poesia de agudeza em Portugal. São Paulo: Humanitas Editorial: Edusp: Fapesp, 2007.

GRACIÁN, Baltasar. Agudeza y arte de ingenio. Madrid: Espasa Calpe, [1648] 2001.

HANSEN, João Adolfo. A sátira e o engenho: Gregório de Matos e a Bahia do século XVII. São Paulo: Ateliê Editorial; Campinas: Editora da Unicamp, 2004.

LAUSBERG, H. Elementos de retórica literária. Tradução, prefácio e aditamentos de R. M. Rosado Fernandes. 2 ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1972.

TESAURO, E. Il cannocchiale aristotelico, o sia, Idea dell’arguta et ingeniosa elocutione: che serue à tutta l’arte oratoria, lapidaria, et simbólica. Esaminata co’principij del diuino Aristotele dal conte & caualier gran croce d. Emanuele Tesauro,

patritio torinese. Torino: Per Bartolomeo Zauatta, 1670. Disponível em: https://ia601309.us.archive.org/7/items/imageGII244NarrativaOpal/imageGII244Narrati vaOpal.pdf. Acesso em: 19 jun. 2025.

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Publicado

2026-02-26

Como Citar

OLIVEIRA DA SILVA, Vitória Helena; MOREIRA, Marcello. A METÁFORA FLORAL: UM ESTUDO DA AGUDEZA NA POÉTICA SEISCENTISTA . Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, [S. l.], v. 4, p. 1–5, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/semicit/article/view/4798. Acesso em: 23 jun. 2026.