O SUJEITO ATRAVESSADO PELO DISCURSO PROPAGANDISTA NA REDE SOCIAL YOUTUBE: UMA ANÁLISE BAKHTINIANA
Palavras-chave:
Discurso Propagandista, Interação, Subjetivação, YouTubeResumo
A expansão das mídias digitais e das redes sociais tem provocado mudanças significativas nas práticas discursivas da sociedade contemporânea. Com a chegada da Web 2.0, novas formas de interação entre sujeitos conectados emergiram, possibilitando o uso de estratégias argumentativas voltadas à persuasão e à construção de sentidos. Nesse contexto, esta pesquisa tem como foco a plataforma YouTube — espaço digital de ampla circulação de vídeos e alta presença de conteúdos publicitários — com o objetivo de investigar como o discurso propagandista pode influenciar os processos de subjetivação dos indivíduos. Nessa visada, apoiamo-nos nas assertivas do Círculo de Bakhtin, especialmente nos conceitos de alteridade, responsabilidade e responsividade, conforme discutidas por Mikhail Bakhtin (2012), no que se refere à problematização a relação entre linguagem e ideologia, destacando o papel ativo do sujeito na construção dos sentidos; mobilizamos as contribuições de Charaudeau (2010 [1992]), acerca do discurso propagandista dentro de um contrato comunicativo persuasivo, considerando os efeitos de sentido produzidos pela encenação discursiva e pela construção de ethos; e, por fim, incorporamos as reflexões de O’Neil (2020) sobre o Big Data e suas implicações na personalização de conteúdos, especialmente no que diz respeito à atuação dos algoritmos como agentes de mediação discursiva e controle simbólico. No percurso metodológico, criamos um canal no YouTube, por meio do qual foram realizadas interações em torno de três temas distintos: (1) ensino de língua inglesa; (2) conteúdos sobre moda e maquiagem; e (3) abordagens sobre a língua portuguesa. As atividades ocorreram ao longo de três semanas, no entanto, este trabalho se concentra na análise da primeira semana. Os resultados evidenciaram que o cruzamento entre sujeito, algoritmo e discurso publicitário instaura novas formas de subjetivação, exigindo dos indivíduos uma postura crítica e responsiva diante das interpelações discursivas que os atravessam. Mesmo diante de enunciados marcadamente persuasivos, os sujeitos são convocados a posicionar-se de maneira consciente e responsável frente aos discursos que circulam no ambiente digital, evidenciando a urgência de uma atuação ética na construção de sentidos e na mediação das práticas comunicativas contemporâneas.
Agência de fomento: FAPESB
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Referências
BAKHTIN, M. Para uma filosofia do ato responsável (1920-1924/1986). Tradução de Valdemir Miotello e Carlos A. Faraco. São Carlos: Pedro & João Editores, 2012. 160 p.
CHARAUDEAU, Patrick. Discurso propagandista: uma tipologia (1992). Tradução de Emília Mendes e Judite Ana Aiala de Mello. In: Cadernos do CEALE, v. 3, p. 1–18, 2010.
O’NEIL, Cathy. Algoritmos de destruição em massa: como o big data aumenta a desigualdade e ameaça a democracia. Tradução de Rafael Abraham. 1. ed. Santo André, SP: Editora Rua do Sabão, 2020. Título original: Weapons of Math Destruction.
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Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

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