O PAPEL DA FEIRA LIVRE NA FORMAÇÃO DE ITAGI-BA: DE PROPULSORA DA FORMAÇÃO ORGANICISTA DA CIDADE A PATRIMÔNIO IMATERIAL. (SÉC. XIX E XXI)
Palavras-chave:
Feira-livre, História local, Itagi, Organicismo, Patrimônio imaterial, Sertões.Resumo
Este trabalho analisa a trajetória de formação da cidade de Itagi-BA, entre o século XIX e a década de 1960 (séc.XX), período de sua emancipação política. A pesquisa entende a história local como ferramenta de resistência aos processos de homogeneização cultural, destacando a feira livre como elemento central da constituição urbana. Nesse sentido, mais do que um espaço de comércio, a feira se configurou como ambiente de trocas sociais e culturais, contribuindo para a construção de identidade. Dentre os conceitos mobilizados, destaca-se “homens-memória”, de Pierre Nora (2012), que designa sujeitos guardiões das lembranças que remontam às identidades de um povo, cujas narrativas possibilitam novas interpretações sobre a formação histórica de Itagi. Outro aporte aplicado é o de organicismo, presente em Sérgio Buarque de Holanda e sistematizado por João Kennedy Eugênio (2010), que significa o crescimento de um grupo cultural a partir de suas próprias forças. Além disso, dialogamos com o conceito de povoações, de Azevedo (1957), que se caracteriza por assentamentos modestos, animados sobretudo por festividades religiosas e dias de feira. Metodologicamente, recorremos à história oral, como forma de integrar perspectivas múltiplas sobre o processo de formação urbana. Diante disso, compreendemos a feira livre de Itagi como patrimônio imaterial, em consonância com Abreu e Chagas (2003), ligado a hábitos, tradições, saberes e práticas culturais que transcendem os bens materiais.
Agência de fomento: FAPESB
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Referências
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