INVENTÁRIO DA ICTIOFAUNA DULCÍCOLA DE REGIÕES DA BAHIA, DEPOSITADO NA COLEÇÃO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA, CAMPUS DE VITÓRIA DA CONQUISTA (BA)
Palavras-chave:
Biodiversidade, coleções científicas, Rio Catolé, conservação, peixesResumo
O Brasil abriga a maior diversidade de peixes de água doce do mundo, mas ainda apresenta lacunas de conhecimento, sobretudo no Nordeste. A Bahia, considerada um estado megadiverso, reúne diferentes bacias hidrográficas com elevada diversidade de espécies, muitas delas endêmicas, ressaltando a importância de inventários regionais e da manutenção de coleções científicas. Nesse contexto, a Coleção Ictiológica da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), campus de Vitória da Conquista, desempenha papel estratégico ao reunir exemplares provenientes de distintos municípios baianos desde 2007, consolidando-se como um acervo em expansão contínua e relevante para estudos taxonômicos, ecológicos e de conservação. Este trabalho teve como objetivo inventariar esta Coleção Ictiológica da UESB, e avaliar a contribuição das coletas realizadas no município de Barra do Choça (BA). As amostragens ocorreram entre setembro e outubro de 2024, contemplando diferentes micro-habitats e graus de impacto ambiental. Foram coletados 2.824 espécimes, distribuídos em quatro ordens (Cyprinodontiformes, Characiformes, Siluriformes e Cichliformes), oito famílias, 13 gêneros e 39 espécies. A ordem Siluriformes apresentou a maior diversidade taxonômica, reunindo quatro famílias, seis gêneros e 342 exemplares, com destaque para Parotocinclus (243), Trichomycterus (69) e Rhamdia (20). Além disso, sobressaíram os gêneros Poecilia (1.486), Astyanax (300) e Geophagus (69). Anteriormente, a coleção reunia 2.788 espécimes tombados, distribuídos em 21 famílias, 38 gêneros e 52 espécies, com predominância de Characiformes, notadamente Astyanax, Psalidodon e Hyphessobrycon. Com a incorporação do material obtido, o acervo totalizou 5.612 exemplares, abrangendo agora 74 espécies. Ressalta-se que as identificações ainda estão em processo de checagem, o que poderá refinar os números apresentados. Esse crescimento reforça a relevância da coleção como ferramenta científica e didática, permitindo identificar padrões de abundância e diversidade, registrar espécies novas ou pouco conhecidas e subsidiar ações de conservação. Os resultados evidenciam a complementaridade entre registros antigos e recentes e ressaltam a importância de inventários contínuos em regiões do Nordeste ainda pouco estudadas. Dessa forma, esta Coleção da UESB consolida-se como uma referência regional para a ictiofauna dulcícola, contribuindo para a preservação da biodiversidade aquática e para a formação de novos pesquisadores.
Agência de fomento: PIBIC
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