O USO DE PSICOESTIMULANTES ENTRE UNIVERSITÁRIOS DE MEDICINA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Palavras-chave:
Estudantes de medicina, psicoestimulantes, saúde mental, uso não prescrito, Medical students, Mental health, non-prescribed use, psychostimulantsResumo
O uso de psicoestimulantes (PEs), como metilfenidato, anfetaminas, modafinil e cafeína, tem aumentado entre estudantes de medicina, muitas vezes sem prescrição médica. Embora indicados para Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), vêm sendo utilizados para melhorar a concentração, vigília e desempenho acadêmico, em um fenômeno global que se manifesta em diferentes contextos. Portanto, este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa de abordagem qualitativa, a prevalência, motivações, efeitos e riscos associados ao consumo de psicoestimulantes por acadêmicos de medicina. Foram incluídos 13 artigos provenientes das bases de dados SciELO, LILACS e PubMed, com publicações dos últimos dez anos, nos idiomas português, inglês e espanhol. Excluíram-se os estudos que não abordavam diretamente universitários de medicina ou que se afastavam da questão norteadora. Os principais resultados encontrados indicam uma prevalência de uso dos psicoestimulantes que varia entre 10% e 60%, sendo maior na América Latina. As motivações centram-se na otimização do rendimento acadêmico, especialmente em períodos de provas, associando-se à percepção de baixa autoeficácia e pressão acadêmica. Substâncias legais, como a cafeína, também são amplamente consumidas, com 85,7% dos estudantes indianos relatando o seu uso regular. Farmacologicamente, os psicoestimulantes aumentam dopamina e noradrenalina, enquanto a cafeína antagoniza receptores de adenosina, podendo, quando associada ao metilfenidato, intensificar os riscos. Os estudos destacaram o metilfenidato como substância mais utilizada, seguido pela cafeína. Os efeitos adversos mais citados incluem insônia, taquicardia, irritabilidade e abstinência. Por outro lado, atividades físicas, práticas religiosas e suporte social surgem como fatores protetores. Conclui-se que o uso de psicoestimulantes entre estudantes de medicina constitui um problema multifatorial, que requer ações institucionais voltadas à promoção da saúde mental e à prevenção do uso inadequado dessas substâncias, bem como o desenvolvimento de estudos longitudinais para compreensão dos impactos a longo prazo.
Agência de fomento: PIBIC
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