AVALIAÇÃO DO TEMPO ENTRE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DO CÂNCER DE BRÔNQUIOS E PULMÃO: EVIDÊNCIAS DA BAHIA (2019-2024)

Autores

  • Bárbara Morena Soares Oliveira Santos UESB
  • Flávia Andrade Macedo
  • Cezar Augusto Casotti
  • Mateus Cardoso Oliveira
  • João Victor Ferreira Silva
  • Miquéias Arcanjo Oliveira
  • Gabriel Magalhães Cairo

Palavras-chave:

Intervalo de tempo para o tratamento, Neoplasias dos brônquios e pulmões, Quimioterapia antineoplásica, Radioterapia

Resumo

O câncer é a segunda principal causa de morte no mundo, superado apenas pelas doenças cardiovasculares. Entre os óbitos, o de brônquios e pulmões ocupa a quinta posição, com cerca de 30.000 casos anuais no Brasil. Divide-se em pequenas células e não pequenas células, ambos de alta letalidade e baixa sobrevida, o que torna o diagnóstico precoce essencial: quando realizado no estágio I, as taxas de sobrevida variam de 60% a 90%. A Lei nº 12.732/2012 estabelece que o início do tratamento ocorra em até 60 dias. Na Bahia, em 2016, o câncer foi a quarta causa de morte. O estado respondeu por 17,9% dos casos da região nordeste e 3,23% do país. Entre 2018 e 2021, foram registrados 1.620 diagnósticos de neoplasia maligna de brônquios e pulmões, sendo 1.097 em Salvador. O presente estudo avaliou, entre 2019 e 2024, o intervalo entre diagnóstico e início do tratamento, considerando cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Trata-se de estudo epidemiológico descritivo, com dados do DATASUS, SIA, SIH e SISCAN, acessados pelo TABNET. No período, 1.956 pacientes foram tratados: 249 (12,7%) em 2019, 338 (17,3%) em 2020, 364 (18,6%) em 2021, 382 (19,5%) em 2022, 377 (19,3%) em 2023 e 246 (12,6%) em 2024. Quanto ao tratamento, 387 (19,8%) realizaram cirurgia, 1.361 (69,6%) quimioterapia e 208 (10,6%) radioterapia. Houve aumento no percentual tratado em até 60 dias: cirurgia de 98,67% para 100%; quimioterapia de 32,52% para 57,65%; radioterapia de 18,18% para 42,31%. Observou-se também redução no tempo médio: cirurgia de 8,08 dias (±62,94) para 4,97 dias (±26,46); quimioterapia de 147,72 dias (±135,59) para 66,54 dias (±49,79); radioterapia de 242,05 dias (±173,69) para 49,48 dias (±476,17). Isso representou diminuição percentual do tempo de espera de 38,32% para cirurgia, 54,95% para quimioterapia e 79,56% para radioterapia. A pandemia de Covid-19 reduziu consultas, exames e diagnósticos, atrasando a detecção, mas observou-se melhora no acesso oportuno, possivelmente ligada à Portaria MS nº 1399/2019 e à Lei nº 14.758/2023, que fortaleceram a rede oncológica. Conclui-se que a quimioterapia foi a modalidade mais indicada, seguida de cirurgia e radioterapia. Houve ampliação do percentual de pacientes tratados em menos de 60 dias, redução do tempo médio e diminuição percentual expressiva em todas as modalidades, embora o acesso à radioterapia siga limitado. A redução do intervalo diagnóstico-tratamento é crucial para aumentar a sobrevida dos pacientes.

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Referências

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Publicado

2026-02-26

Como Citar

SOARES OLIVEIRA SANTOS, Bárbara Morena; ANDRADE MACEDO, Flávia; CASOTTI, Cezar Augusto; CARDOSO OLIVEIRA, Mateus; FERREIRA SILVA, João Victor; OLIVEIRA, Miquéias Arcanjo; MAGALHÃES CAIRO, Gabriel. AVALIAÇÃO DO TEMPO ENTRE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DO CÂNCER DE BRÔNQUIOS E PULMÃO: EVIDÊNCIAS DA BAHIA (2019-2024). Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, [S. l.], v. 4, p. 1–6, 2026. Disponível em: https://anais2.uesb.br/index.php/semicit/article/view/5329. Acesso em: 23 jun. 2026.