ENTRE ENCANTOS E SILÊNCIOS: A LENDA DO BOTO E A VIOLÊNCIA CONTRA O CORPO FEMININO
Palavras-chave:
Boto-cor-de-rosa, Encantamento, Mulheres ribeirinhas, Patriarcado, Violência de gênero, Violência sexualResumo
O projeto de pesquisa intitulado ”ENTRE ENCANTOS E SILÊNCIOS: A LENDA DO BOTO E A VIOLÊNCIA CONTRA O CORPO FEMININO” analisa a relação entre o mito folclórico do boto-cor-de-rosa e a violência sofrida por mulheres ribeirinhas na região Norte do Brasil. A lenda, que narra um homem sedutor que engravida mulheres e desaparece nas águas, é reinterpretada à luz da violência de gênero. A pesquisa revela que a narrativa do "encantamento" serve frequentemente para encobrir casos reais de violência sexual, estupro, pedofilia e incesto, onde as vítimas são meninas e mulheres das comunidades. A análise demonstra como a versão idílica do mito opera um duplo silenciamento: primeiro, ao mascarar a agressão real sob a fantasia do encanto; segundo, ao deslocar a culpa para o corpo feminino, visto como impuro ou provocador. O estudo aponta ainda como a crença é utilizada para controlar o comportamento das mulheres, restringindo sua liberdade e associando sua vulnerabilidade a "poderes" sobrenaturais. Dados regionais alarmantes sobre violência sexual, especialmente contra meninas negras, pobres e residentes em áreas rurais e fronteiriças, corroboram a tese de que o mito legitima e naturaliza a violência. Estatísticas mostram que seis dos dez estados com maiores taxas de violência sexual contra crianças e adolescentes estão na Amazônia Legal, com vítimas majoritariamente pretas ou pardas. Por fim, o trabalho conclui que a lenda do boto é um mecanismo cultural profundamente enraizado que perpetua desigualdades de gênero. A desconstrução crítica dessa narrativa é, portanto, urgente para combater estruturas de poder patriarcais que encobriram abusos e perpetuam a vulnerabilidade feminina na região.
Agência de fomento: IC UESB
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Referências
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ONETE, Dona. Boto Namorador. 2017. Gravadora: Som Livre.
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