CRESCIMENTO URBANO E A DINÂMICA DA COLETA PÚBLICA DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES NA BAHIA (2010–2022)
Palavras-chave:
Bahia, Coleta Pública, Crescimento Urbano, Desigualdade SocioespacialResumo
O crescimento urbano constitui-se como um dos fenômenos centrais da contemporaneidade, resultado de transformações sociais, econômicas e políticas que se materializam no espaço geográfico. Como observa Santos (1993), a urbanização não pode ser reduzida ao simples aumento demográfico, mas deve ser compreendida como expressão das contradições estruturais da sociedade e da lógica desigual da organização territorial. Nesse contexto, a provisão habitacional assume papel estratégico, pois além de responder à necessidade de moradia, impõe novas demandas por infraestrutura básica, incluindo o manejo de resíduos sólidos. A pesquisa analisou a coleta pública de resíduos domiciliares na Bahia entre 2010 e 2022, utilizando dados dos Censos Demográficos do IBGE e técnicas de geoprocessamento em ambiente SIG (QGIS), considerando duas escalas: a estadual, tendo como unidade os 417 municípios, e a intraurbana, com base em setores censitários do município de Vitória da Conquista. Os resultados indicam avanços no atendimento estadual, com elevação de 72% para 83% dos domicílios atendidos no período, embora cerca de um terço dos municípios ainda apresente baixos índices de cobertura, evidenciando desigualdades regionais persistentes. Em municípios como Anagé, a coleta pública cresceu de 24% em 2010 para 32% em 2022, mantendo elevado percentual de resíduos descartados por vias alternativas, o que acarreta impactos ambientais significativos. Conclui-se que, apesar dos avanços, a universalização da coleta pública de lixo permanece como desafio, pois a seletividade espacial da infraestrutura reflete as contradições da urbanização capitalista, exigindo políticas públicas capazes de articular planejamento territorial, inclusão social e sustentabilidade ambiental.
Agência de fomento: FAPESB
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Referências
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