A IGREJA, OS LIBERTOS E A VIOLÊNCIA INSTITUCIONALIZADA NA ALTA IDADE MÉDIA
Palavras-chave:
Campesinato liberto, Igreja, Trabalho, Violência, Hispânia VisigodaResumo
Esta pesquisa analisa o campesinato na Hispânia Visigoda da Alta Idade Média, posicionando o grupo dos libertos como sujeitos históricos fundamentais entre os séculos VII e VIII. O estudo demonstra como a Igreja, após a conversão de Recaredo, regulou a exploração da força de trabalho do campesinato liberto ao utilizar a manumissão como instrumento para fixá-los à terra em um regime de dependência. A análise de fontes primárias, como a Lex Visigothorum e as atas dos Concílios de Toledo, IV, V e VI, revela que a “liberdade” concedida era, na prática, uma nova forma de subsunção, o patronato, balizada na violência institucional, conforme se verifica na legislação do período. Esse vínculo, de caráter perpétuo e hereditário, era sustentado pela constante ameaça de retorno à escravidão em caso de desobediência ou tentativa de fuga, funcionando como um mecanismo que garantia à aristocracia laica e religiosa o controle sobre os manumitidos. Longe de indicar passividade, a próprias necessidades de criar e reforçar tais leis demonstra agência e resistência dos libertos que pressionavam a elite a reforçar continuamente esses meios legais de dominação.
Agência de fomento: FAPESB
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Referências
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