COMPORTAMENTO SEDENTÁRIO, ATIVIDADE FÍSICA E DEMAIS FATORES ASSOCIADOS A DISTÚRBIO DO SONO EM TRABALHADORES DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Palavras-chave:
Atividade Física, Comportamento Sedentário, Distúrbios do Sono, Atenção Primária à SaúdeResumo
INTRODUÇÃO: Os distúrbios do sono (DS) estão associados a prejuízos cognitivos, físicos e psicológicos e podem ser agravados por condições laborais em profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS). Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre atividade física (AF), comportamento sedentário (CS) e fatores sociodemográficos associados a DS entre trabalhadores da APS de Jequié-BA. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo transversal, vinculado a uma coorte prospectiva aprovada por comitê de ética (CAAE: 98472718.2.0000.0055). O município possui população estimada em 158.813 habitantes e 1.138 trabalhadores na APS (CNES, 2023). Foram incluídos todos os profissionais em exercício e excluídos aqueles afastados por licença ou cargo eletivo superior a quatro meses. Os dados foram coletados em 2024, por meio de questionário estruturado aplicado presencialmente nas Unidades de Saúde da Família, utilizando o aplicativo ODK Collect (versão 2022.4.4) ou formulário impresso. As variáveis investigadas foram sociodemográficas, AF/CS e sono. A análise estatística foi conduzida no software STATA® 12.0, com procedimentos descritivos, univariados e bivariados. Para identificar fatores associados ao desfecho, empregou-se regressão logística com seleção stepwise, estimando razões de prevalência (RP) e IC95%, mantendo-se no modelo final variáveis com p<0,05. RESULTADOS/DISCUSSÃO: A amostra foi composta por 746 trabalhadores, com média etária de 44,7 ± 11,8 anos, predominando mulheres (77,8%) e pardos (59,6%). A prevalência de DS foi de 12,2%, mais frequente em mulheres (14,1%) e indivíduos ≥45 anos (15,8%). O modelo final apontou que sexo feminino (RP=2,58; IC95%: 1,32–5,03) e idade ≥45 anos (RP=1,80; IC95%: 1,20–2,70) aumentaram a probabilidade de DS, enquanto renda >4 salários mínimos (RP=0,42; IC95%: 0,22–0,80) e prática regular de AF (RP=0,48; IC95%: 0,28–0,82) atuaram como fatores protetores. O modelo apresentou bom ajuste (p=0,319) e discriminação moderada (AUC=0,68). CONCLUSÃO: Conclui-se que, além da prática de AF reduzir a prevalência de DS, as relações observadas reforçam que mulheres e trabalhadores mais velhos apresentam maior vulnerabilidade, enquanto maior renda funciona como fator de proteção. Esses achados ressaltam a importância de políticas públicas voltadas à promoção de hábitos ativos, valorização profissional e mitigação das desigualdades socioeconômicas.
Agência de fomento: FAPESB
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Referências
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