O USO EXÓGENO DE ÓXIDO NÍTRICO NA RUSTIFICAÇÃO MORFOFISIOLÓGICA DE Schinus terebinthifolia (Anacardiaceae) EM RESPOSTA AO DÉFICIT HÍDRICO1
Palavras-chave:
Tolerância ao estresse, fotossíntese, restauração ecológica, osmoproteção, aroeira-vermelhaResumo
A degradação ambiental e as alterações climáticas têm intensificado a perda de cobertura vegetal no Nordeste brasileiro, o que estabelece a restauração ecológica como uma estratégia crucial para a recuperação de áreas degradadas. Schinus terebinthifolia é uma espécie de destaque devido à sua ampla distribuição, rusticidade e elevado potencial de utilização em programas de revegetação. Contudo, o déficit hídrico representa um fator limitante ao seu crescimento e estabelecimento no campo. Neste contexto, o óxido nítrico (ON) tem sido investigado como um elicitor químico capaz de modular rotas fisiológicas e bioquímicas de defesa, elevando a tolerância vegetal ao estresse. Dessa forma, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito da aplicação de ON na rusticidade morfofisiológica de S. terebinthifolia submetida ao déficit hídrico. O experimento foi conduzido em casa de vegetação, utilizando-se um delineamento inteiramente casualizado em esquema fatorial. As plantas foram tratadas com nitroprussiato de sódio (SNP, 100 μmol/L−1) e submetidas a dois regimes hídricos, por um período de 60 dias: irrigação regular (70−80% da capacidade de pote) ou déficit hídrico (20−30%). Foram avaliados o número de folhas (NF), o comprimento da parte aérea (CPA), a biomassa seca da parte aérea (BSPA), a biomassa seca da raiz (BSR), e os teores foliares de açúcares solúveis totais (TFAST) e de amido (TFA). Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância, e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey (p≤0,05), utilizando o software R. Os resultados indicaram que o déficit hídrico reduziu significativamente o NF (em 51,25%), o CPA (em 18,09%) e a BSPA (em 48,47%), sem, contudo, alterar a BSR. A aplicação exógena de ON atenuou parte dessas perdas, promovendo incrementos significativos de 39,74% no NF, 14,39% no CPA e 40,70% na BSPA sob condição de estresse. No que concerne ao metabolismo de carboidratos, plantas não tratadas com ON e sob déficit hídrico acumularam açúcares solúveis (+72,56%), acompanhado de uma redução nos teores de amido (−50%). Em contraste, nas plantas tratadas com ON, o acúmulo de açúcares não foi correlacionado à redução do amido. Diante dos resultados, conclui-se que o ON favorece a manutenção do crescimento e os ajustes fisiológicos de S. terebinthifolia em condições de déficit hídrico, elevando sua rusticidade e ampliando o potencial de uso da espécie em projetos de restauração de áreas degradadas sujeitas à limitação hídrica.
Agência de fomento: FAPESB
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