VIVÊNCIAS DE FAMÍLIAS SOBRE ITINERÁRIOS PARA O CUIDADO DO FAMILIAR COM SOFRIMENTO MENTAL NO ÂMBITO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA
Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Família, Itinerários Terapêuticos, Rede de Atenção Psicossocial, Saúde Mental, Sofrimento MentalResumo
Apesar dos avanços da Reforma Psiquiátrica, o cuidado em saúde mental no Brasil, ainda se realiza em meio a itinerários fragmentados e sobrecarregados pelas famílias. Neste contexto objetivamos neste estudo compreender vivências de famílias sobre itinerários para o cuidado do familiar com sofrimento mental no âmbito da Atenção Primária à Saúde. Trata-se de estudo qualitativo e fenomenológico, fundamentado na fenomenologia da percepção de Maurice Merleau-Ponty. O cenário situa-se na área de abrangência de uma Unidade de Saúde da Família em Jequié, Bahia, Brasil. Participaram cinco famílias, cuidadoras de pessoas em sofrimento mental, selecionadas com o apoio de Agentes Comunitários de Saúde. A produção das informações ocorreu entre Outubro de 2024 e Março de 2025, por meio de entrevistas fenomenológicas presenciais, realizadas nos domicílios, com duração média de 40 minutos, gravadas e transcritas integralmente. O material empírico foi analisado à luz da técnica Analítica da Ambiguidade, permitindo a emergência de categorias que expressam a experiência vivida nos percursos de cuidado. Os resultados revelam que os itinerários são atravessados por ambiguidades que revelam que o cuidado, embora sustentado pela Atenção Primária, permanece marcado pela fragmentação da rede e pela sobrecarga assumida pelas famílias. Concluímos que a atenção primária constitui a principal porta de entrada para esses percursos, mas ainda apresenta fragilidades na articulação com outros serviços, demandando maior integração, capacitação das equipes e estratégias de suporte às famílias.
Agência de fomento: FAPESB
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