A RELAÇÃO SUJEITO E ESPAÇO NA ANTIGUIDADE EGÍPCIA: PERCEPÇÃO RELIGIOSA DO REINO ANTIGO E O ENSINO DE HISTÓRIA
Palavras-chave:
Antigo Egito, História Antiga,, Produção do Espaço, ReligiãoResumo
O presente trabalho visa analisar, a partir do conceito de Espaço Absoluto de Henri Lefebvre, as relações entre sujeito e espaço na antiguidade egípcia no processo de construção e consolidação de sua percepção religiosa, em particular durante a era do Reino Antigo no terceiro milênio (3200 - 2423 a.C.). Ao evidenciar a construção gradual de uma religiosidade que partia de pressupostos materiais e cosmogônicos, é possível compreender a interação do homem com a natureza, que influía não somente na manutenção de sua subsistência material, mas também fornecia ferramentas para a compreensão de sua própria existência, alçada sobre a perspectiva religiosa da realidade concreta. As narrativas encontradas nos mitos, especulações da natureza, envoltas de caráter intuitivo, não ignoravam a realidade, mas sim tentavam torná-la inteligível, explicando-a e ordenando-a. A solarização da paisagem a partir da
materialidade da figura das pirâmides e a influência do Nilo constituem a hipótese cervical deste trabalho. A percepção dos fenômenos naturais feita pelo homem antigo se distingue de uma mera especulação ordinária e ociosa, pelo fato de que em momento algum se desprende da experiência, e sim busca explicá-la e se integrar a ela. Assim, nesta pesquisa, busca-se preencher lacunas historiográficas e discutir a importância da dimensão espacial no ensino de história, desconstruindo e combatendo qualquer perspectiva que retire do âmbito social os elementos espaciais presentes na antiguidade. Além disso, repensa-se o papel dos sujeitos na natureza, não somente como reféns da mesma, mas enquanto agentes que estavam em constante movimento e transformação num espaço dotado de sociabilidade, dualidade, identidade, contradição e cultura
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