Automutilação e padecimento emocional: um exame da vida e obra de Vincent van Gogh à luz da Psicanálise Winnicottiana
Palavras-chave:
Automutilação, Padecimento emocional,, WinnicottResumo
O ponto de partida para a realização dessa pesquisa se dá pela tentativa de traçar um entendimento sobre a vida do pintor Vincent van Gogh e possíveis falhas nos cuidados ambientais em sua infância que colaboraram para os seus episódios de automutilação, despersonalização e adoecimento emocional na fase adulta do pintor. Utilizamos como referencial para coleta de dados biográficos do pintor, a obra de David Haziot intitulada Van Gogh (2010) e o livro Van Gogh: a vida de Steven Naifeh e David Smith (2011). Nos ancoramos também em suas correspondências autorais trocadas com seu irmão Theo van Gogh, reunidas no livro Cartas a Theo (Van Gogh, 2023). Utilizamos a psicanálise de D. W. Winnicott como referencial teórico para nossa pesquisa. Nossa hipótese, utilizando a psicanálise winnicottiana como pano de fundo, é de que os episódios de automutilação de Van Gogh em sua fase adulta, podem ser entendidos como um fenômeno de adoecimento emocional decorrente de falhas em cuidados e na sustentação emocional ao longo da vida. A partir do exame de sua biografia notamos que, durante sua vida, Van Gogh não conseguia ter uma continuidade segura e previsível em suas relações e em seu cuidado consigo mesmo. Sua mente sempre pairava uma penumbra de aniquilamento, uma ansiedade e angústia por vezes paralisantes; quando se via sozinho, a realidade se tornava uma ameaça aterrorizante. Em momentos de grande angústia, com os quais Vincent se via totalmente incapaz de lidar, e sem ninguém para ajudá-lo, entrava em um estado de estresse tão grande que colapsava. Alguns de seus episódios culminaram em internações psiquiátricas marcadas por alucinações, delírios e, o que consideramos o mais agudo deles, na automutilação da sua orelha esquerda. Nesta pesquisa, ancorados na psicanálise de Winnicott, defendemos a hipótese de que o ataque ao seu próprio corpo, o descuido consigo e os diversos tipos de angústia vividos pelo pintor decorrem de falhas nos cuidados emocionais destinados a ele como bebê e como infante. Esta pesquisa contou com o imprescindível apoio da FAPESB.
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Referências
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