CORPO E ENFERMIDADE NA ARTE DE FRIDA KAHLO: UMA ANÁLISE A PARTIR DA FILOSOFIA DE HEIDEGGER
Palavras-chave:
Corpo, Enfermidade, Frida Kahlo, HeideggerResumo
O objetivo desse trabalho consiste em apresentar resultados obtidos em uma pesquisa de Iniciação cientifica, fomentada pela FAPESB. A partir do projeto de pesquisa intitulado por “Memória, corpo e padecimento existencial: um olhar sobre as obras de Frida Kahlo e Vincent Van Gogh a partir da psicanálise e filosofia”, surgiu o interesse em elaborar um plano de trabalho que articulasse arte e filosofia. Examinamos a maneira como o filósofo Martin Heidegger trata do problema do corpo e articulamos sua discussão sobre os padecimentos ligados à enfermidade a uma análise da vida e da obra de Frida Kahlo. Heidegger (2009) rejeita a ideia mecanicista de corpo como uma máquina e, na obra Seminários de Zollikon, expõe para psiquiatras a sua concepção de corpo a partir de sua definição do ser humano como Dasein. Segundo ele, o corpo humano não é uma mera anatomia, um Körper (corpo material), mas um corpo vivido (Leib) que carrega consigo nosso modo de ser cotidiano, a história de nosso ser-no-mundo. Se estamos saudáveis, nos lançamos nas ocupações cotidianas e sequer notamos a nossa condição corporal. A enfermidade, o padecimento corporal, implica no colapso do ser-no-mundo corporificado, de modo que nossa familiaridade cotidiana cede lugar para a estranheza imposta pelas limitações, medos e dores. A filosofia de Heidegger fomenta o interesse dos estudiosos que pensam a enfermidade, a exemplo de Reis (2016) e Aho (2009). Esses autores nos mostram que a enfermidade do corpo vivido é um padecimento existencial. Examinamos em que medida as discussões heideggerianas são frutíferas para pensar como a trágica biografia da artista Frida Kahlo se faz presente, de modo plástico, em alguns de seus autorretratos. Frida retratou os acontecimentos traumáticos que marcaram sua vida, suas cirurgias, abortos involuntários e processos de reabilitação. Analisamos algumas obras que retratam seus padecimentos, com foco maior na tela Memória, o coração (1937). Fazemos isso em articulação com a maneira heideggeriana de pensar o corpo vivido.
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Referências
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