A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA FEMININA EM ATENAS POR MEIO DAS COMÉDIAS DE ARISTÓFANES (SÉCULO V A.E.C.)
Palavras-chave:
Aristófanes, Comédia Grega, Mulheres, Participação Política Feminina.Resumo
As peças de teatro desempenharam um papel importante na preservação da cultura da Grécia Antiga e na transmissão de valores, crenças e tradições para as futuras gerações. A comédia grega, especialmente durante o século V a.C., explorava temas como a natureza humana, amor, ganância e egoísmo oferecendo uma plataforma para críticas sociais e políticas que permitia aos dramaturgos expressarem suas opiniões através do humor. As leis delimitadas por Clístenes (508 a.C.) e mantidas por Péricles instituídas em 450 a.C. apresentam como a democracia ateniense era exercida direta e restrita apenas a cidadãos do sexo masculino. Nesse contexto, privadas de participarem ativamente da vida política formal da cidade, as mulheres não tinham o direito de votar, fazer discursos ou tomar decisões políticas nas assembleias em consequência de restrições oriundas de uma combinação de leis de cidadania e normas culturais próprias daquele contexto.O dramaturgo Aristófanes (446-386 a.C.) munido de humor, sátira e da irônica inversão de papeis que o gênero da comédia o permitia, incluía em suas obras ideias completamente destoantes dessa vivência cotidiana. Um exemplo disso são as obras “Lisístrata” e “A revolução das mulheres”, escritas por volta de 392ª.C. e 411 a.C., na qual o mesmo ironiza a sociedade ateniense quando aborda questões políticas, sociais e de gênero, o abuso de poder pelos políticos e a natureza excludente da democracia ateniense. Na primeira peça, “Lisístrata”, a personagem, que dá nome à obra, lidera um plano para acabar com a Guerra do Peloponeso convencendo as mulheres de Atenas e de outras pólis gregas a se recusarem a fazer sexo com seus maridos até que eles concordem em buscar a paz. Já na segunda obra, a personagem Valentina, uma mulher astuta e determinada, lidera um grupo de mulheres que se disfarçam de homens e invadem a Assembleia de Atenas propondo reformas radicais que incluem a igualdade de propriedade, interações românticas entre casais e a abolição da guerra. Utilizaremos os trabalhos de Marta Mega de Andrade e outros historiadores que exploram a influência das mulheres em espaços não formais para analisar em que medida Aristófanes retrata as mulheres e suas ambições nas comédias selecionadas e como essa descrição se aproxima ou se afasta do cotidiano. Também, localizaremos possíveis estratégias utilizadas para que as mulheres pudessem ter um papel público na cidade envolvendo eventos religiosos e cerimoniais.
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