UM INTELECTUAL DA IMPRENSA E OS EMBATES POLÍTICOS DO SEU TEMPO: O AI-5 NA TRAJETÓRIA DE ALBERTO DINES

Autores

Palavras-chave:

Trajetória, Intelectual da imprensa, AI-5, Alberto Dines

Resumo

                   

O trabalho, recorte de pesquisa de doutorado, analisa o caso do jornalista Alberto Dines, editor-chefe do Jornal do Brasil, que, ao proferir discurso crítico ao Ato Institucional nº 5 (AI-5) e à censura durante uma formatura na PUC do Rio de Janeiro, em dezembro de 1968, sofreu duas prisões e passou a ser vigiado pela ditadura civil-militar, mesmo sendo oriundo de um veículo que apoiara o golpe de 1964. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se em análise de fontes documentais e memorialísticas, incluindo documentos do Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado contra Dines, consultados no acervo do projeto Memórias Reveladas (Arquivo Nacional), notícias do Jornal do Brasil sobre a promulgação do AI-5, reportagens do The New York Times sobre a prisão e seu depoimento constante no livro Eles mudaram a imprensa (CPDOC-FGV, 2003).

Os resultados evidenciam que a prisão de Dines, ocorrida em 22 de dezembro de 1968, gerou repercussão internacional, sendo o jornalista retratado pela imprensa estrangeira como uma das figuras mais influentes do país, e que sua rede de sociabilidades — incluindo contatos com militares frequentadores do Jornal do Brasil — não impediu sua detenção, mas parece ter contribuído para uma libertação relativamente rápida e para que não sofresse violências físicas durante o cárcere. Embora o IPM tenha sido arquivado por ausência de crime contra a Segurança Nacional, o parecer final recomendou a manutenção de vigilância sobre o jornalista, inaugurando uma condição de suspeição permanente. Conclui-se que a posição de destaque de Dines como diretor de um dos maiores jornais do país e a repercussão internacional do caso motivaram tratamento diferenciado por parte do regime, evidenciando que a ditadura calibrava sua repressão conforme a estatura intelectual e política de seus opositores, ainda que a experiência da prisão tenha instaurado um mal-estar duradouro na condição do sujeito perante o Estado ditatorial.

 

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Biografia do Autor

Polliana Moreno dos Santos, Universidade do Estado da Bahia, Bahia, Brasil

Professora adjunta do curso de Licenciatura em História da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)- Campus IV- Jacobina, onde integra a Área de Estágio Supervisionado. Doutora em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestre em Memória, Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), especialista em Educação, Cultura e Memória pela UESB e graduada em História pela UESB, campus de Vitória da Conquista. Interesse em temas do ensino de História, mídias relacionadas à memória e ditadura civil-militar no Brasil.

Referências

ABREU, Alzira. Eles Mudaram a Imprensa: depoimentos ao CPDOC. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003.

CARDOSO, Lucileide Costa. Criações da memória: defensores e críticos da Ditadura (1964-1985). Cruz das Almas, BA: Editora UFRB, 2012.

MOTTA, Rodrigo Patto Sá. O ofício das sombras. Revista do Arquivo Público Mineiro. Belo Horizonte, MG, ano XLII, n. 1, jan/jun. 2006.

MOTTA, Rodrigo Patto Sá. Sobre as origens e motivações do Ato Institucional 5. Revista Brasileira de História, v. 38, n. 79, p. 195-216, 2018.

FUNDO: Comissão Geral de Inquérito Policial-Militar - BR DFANBSB AAJ (Projeto Memórias Reveladas) -Cópia relatório de IPM, encaminhado pelo chefe do gabinete do Ministério do Exército ao Presidente da CGIPM.Disponível em: http://imagem.sian.an.gov.br/acervo/derivadas/br_dfanbsb_aaj/0/ipm/0081/br_dfanbsb_aaj_0_ipm_ 0081_d0001de0001.pdf. Acesso em: 06 jan. 2021

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Publicado

2026-11-04