A TRAJETÓRIA DO INTELECTUAL NEGRO PLÍNIO DE ALMEIDA E AS CONTRIBUIÇÕES PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA LEI 10.639/03 NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA

Autores

Palavras-chave:

Intelectuais Negros, História da Educação, Lei 10.639/03, Educação Antirracista, Plínio de Almeida, Educação

Resumo

A pesquisa, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da UESC (PPGE/UESC), tem como objeto de estudo a trajetória do intelectual negro Plínio de Almeida, buscando compreender suas contribuições para a implementação da Lei nº 10.639/03 no Colégio Estadual de Tempo Integral Valdelice Soares Pinheiro (CEVSP), em Itabuna, Bahia, partindo do entendimento de que o reconhecimento de intelectuais negros regionais pode favorecer práticas educativas comprometidas com a diversidade, a memória e a justiça social. Fundamentada em Gomes (2017), Munanga (2005), Benjamin (2012), Sirinelli (2003) e Santos (2021), a pesquisa qualitativa, de natureza descritivo-exploratória e desenvolvida por meio de estudo de caso, articula análise documental — de obras de Plínio de Almeida, registros históricos e acervos da Biblioteca Municipal de Itabuna e do CEDOC/UESC —, entrevistas semiestruturadas com docentes da 3ª série do Ensino Médio do CEVSP e observação direta não interventiva.

Os resultados preliminares evidenciam lacuna significativa de estudos sobre a atuação intelectual de Plínio de Almeida e reduzida presença de referências a intelectuais negros regionais nos materiais educacionais analisados, constatação que reforça a hipótese de que a invisibilização desses sujeitos constitui expressão do racismo curricular, compreendido como processo de seleção e legitimação de conhecimentos resultante de disputas políticas e culturais. Discute-se que a valorização de trajetórias negras locais favorece a identificação dos estudantes com referências historicamente silenciadas, fortalecendo pertencimento e reconhecimento, e aponta-se a necessidade de fortalecimento das políticas de formação docente voltadas à Educação das Relações Étnico-Raciais. Conclui-se, de forma preliminar, que o reconhecimento da trajetória de Plínio de Almeida possui potencial para fortalecer a implementação da Lei nº 10.639/03 e ampliar o debate sobre intelectuais negros na História da Educação do Sul da Bahia, esperando-se que os resultados finais subsidiem a capacitação docente e a elaboração de um produto educacional voltado à valorização dessa memória.

 

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Biografia do Autor

Cleudes Pereira Santana, Universidade Estadual de Santa Cruz

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Educação Mestrado e Doutorado Profissional em Educação (PPGE), na linha de pesquisa 2: Políticas, Culturas e Educação Democrática, com projeto intitulado A trajetória do professor negro Plínio de Almeida: contribuições para a implementação da Lei 10.639/03 no Colégio de Tempo Integral Valdelice Soares Pinheiro (CEVSP). Integra o Grupo de Pesquisa em Política e História da Educação (GRUPPHED) e o Grupo de Pesquisa PORTAL DO BICENTENÁRIO: 200 anos de Escolas Públicas no Brasil.Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela Faculdade Futura (2021), em Educação de Jovens e Adultos pela FACULMINAS (2025) e em Educação Contemporânea com ênfase em Coordenação Pedagógica pelo Instituto Ânima (2025). Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) (2019), com habilitação em Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental.Atuou como gerente do Ponto SAC de Coaraci, vinculado à Secretaria de Administração do Estado da Bahia (SAEB), e possui experiência docente na rede municipal de Itabuna-BA e na Escola Acalento. Foi aluna especial no Programa de Pós-Graduação em Ensino e Relações Étnico-Raciais (PPGER/UFSB), Campus Jorge Amado (2019).Possui experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Étnico-Racial, História da Educação, Memória e Africaneidade, Ensino por Investigação, Formação de Professores e Educação Especial e Inclusiva. Atua principalmente nos seguintes temas: história da educação, formação do aluno surdo, educação antirracista, ensino-prendizagem e inclusão escolar. Atualmente exerce a função de Coordenadora Pedagógica na Secretaria da Educação do Estado da Bahia.

Cristiane Batista da Silva Santos, Universidade Estadual de Santa Cruz

Professora Titular da UESC, Universidade Estadual de Santa Cruz no DCIE- Departamento de Ciências da Educação, lecionando nos cursos de licenciatura e no Mestrado e Doutorado Profissional em Educação - PPGE. Doutora em Estudos Étnicos e Africanos - CEAO, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestre em Cultura e Memória/ UNEB.- . Integra o Grupo de Pesquisa em Política e História da Educação GRUPPHED coordenando a Linha III- População negra na Bahia: História da Educação . Como pesquisadora desenvolve o projeto de Pesquisa História da Educação das Populações negras entre margens: Brasil/Bahia e EUA nas representações de intelectuais em cartas e impressos (1910-1970). Participante do projeto de extensão - Portal do Bicentenário

Referências

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 2012.

BRASIL. Lei n.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Brasília, DF: Presidência da República, 2003.

GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017.

MUNANGA, Kabengele. Superando o racismo na escola. Brasília: MEC, 2005.

SANTOS, Cristiane Batista da Silva. Africanas em diáspora e silêncio curricular no Baixo Sul da Bahia. Curitiba: Appris, 2021.

SIRINELLI, Jean-François. Os intelectuais. In: RÉMOND, René (org.). Por uma história política. Rio de Janeiro: FGV, 2003.

TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.

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Publicado

2026-11-04