MEMÓRIA, DEPRIVAÇÃO E CUIDADO: CONTRIBUIÇÕES PARA COMPREENDER AS EXPERIÊNCIAS DE CRIANÇAS INSTITUCIONALIZADAS

Autores

Palavras-chave:

Deprivação, Infância, Memória de presença, Negligência

Resumo

A presente pesquisa tem como objetivo discutir as relações entre memória de presença, deprivação e acolhimento institucional a partir da teoria de Donald W. Winnicott. Parte-se da compreensão de que as experiências iniciais de cuidado, sustentadas por um ambiente suficientemente bom, favorecem a constituição de uma memória de presença marcada pela confiabilidade ambiental e pela continuidade dos vínculos. Busca-se refletir sobre os efeitos produzidos quando essa continuidade é interrompida por situações de negligência, abandono ou violência. Para Winnicott, a deprivação corresponde à perda de uma experiência de cuidado anteriormente presente na vida da criança. Nesse sentido, o trabalho propõe pensar o acolhimento institucional como um contexto atravessado por histórias de vínculos, rupturas e perdas, discutindo de que modo essas experiências podem repercutir na constituição subjetiva infantil. A partir de uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, argumenta-se que comportamentos frequentemente interpretados como inadequados ou disruptivos podem ser compreendidos como expressões do sofrimento decorrente das experiências de perda e como tentativas de reecontrar a confiança em um ambiente capaz de oferecer cuidado e estabilidade. Destaca-se, ainda, a importância da oferta de contextos de acolhimento marcados pela previsibilidade, pela continuidade  dos cuidados e capacidade de sustentar emocionalmente a criança, possibilitando novas experiências de segurança e pertencimento. Conclui-se que a compreensão das vivências de crianças acolhidas demanda considerar não apenas os eventos que culminaram em seu afastamento familiar, mas também a história dos vínculos, das presenças e das rupturas que atravessam sua constituição subjetiva.

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Biografia do Autor

Elda Thayná Souza Nascimento, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Graduanda em Psicologia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), atualmente cursando o nono semestre e formação complementar em Licenciatura em Psicologia. Bolsista de Iniciação Científica, desenvolvendo pesquisa sobre memória, corpo e padecimento existencial a partir da psicanálise e da Filosofia. Integra o Núcleo de Práticas e Pesquisas em Psicologia (NUPEP), na linha de pesquisa em Desenvolvimento Humano, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Prisões, Violência e Direitos Humanos (NEPP) e a Liga Acadêmica de Psicanálise Clínica e Arte (PSICCA) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Foi bolsista do Programa de Práticas Psicológicas (PROPPSI) e monitora voluntária da disciplina Técnicas de Psicoterapia com Crianças.

Carmem Virgínia Moraes Da Silva, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Psicóloga (UFMG), Mestre em Psicologia (UFRN), Doutora em Educação e Contemporaneidade (UNEB) e Pós-Doutora em Psicologia (USP); professora titular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB); Coordenadora do Núcleo de Pesquisas e Estudos em Psicologia (NUPEP/UESB).

Referências

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Publicado

2026-11-04