MEMÓRIA, DEPRIVAÇÃO E CUIDADO: CONTRIBUIÇÕES PARA COMPREENDER AS EXPERIÊNCIAS DE CRIANÇAS INSTITUCIONALIZADAS
Palabras clave:
Deprivação, Infância, Memória de presença, NegligênciaResumen
A presente pesquisa tem como objetivo discutir as relações entre memória de presença, deprivação e acolhimento institucional a partir da teoria de Donald W. Winnicott. Parte-se da compreensão de que as experiências iniciais de cuidado, sustentadas por um ambiente suficientemente bom, favorecem a constituição de uma memória de presença marcada pela confiabilidade ambiental e pela continuidade dos vínculos. Busca-se refletir sobre os efeitos produzidos quando essa continuidade é interrompida por situações de negligência, abandono ou violência. Para Winnicott, a deprivação corresponde à perda de uma experiência de cuidado anteriormente presente na vida da criança. Nesse sentido, o trabalho propõe pensar o acolhimento institucional como um contexto atravessado por histórias de vínculos, rupturas e perdas, discutindo de que modo essas experiências podem repercutir na constituição subjetiva infantil. A partir de uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, argumenta-se que comportamentos frequentemente interpretados como inadequados ou disruptivos podem ser compreendidos como expressões do sofrimento decorrente das experiências de perda e como tentativas de reecontrar a confiança em um ambiente capaz de oferecer cuidado e estabilidade. Destaca-se, ainda, a importância da oferta de contextos de acolhimento marcados pela previsibilidade, pela continuidade dos cuidados e capacidade de sustentar emocionalmente a criança, possibilitando novas experiências de segurança e pertencimento. Conclui-se que a compreensão das vivências de crianças acolhidas demanda considerar não apenas os eventos que culminaram em seu afastamento familiar, mas também a história dos vínculos, das presenças e das rupturas que atravessam sua constituição subjetiva.
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Citas
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