ETNICIDADE IORUBÁ, MEMÓRIA E IDENTIDADE NO CANDOMBLÉ DE MATRIZ AFRICANA ENTRE MITOLOGIA, HISTÓRIA E TRÂNSITOS CULTURAIS NO BRASIL.
Palavras-chave:
Candomblé, Iorubá, Memória, Identidade, EtnicidadeResumo
A presente comunicação discute a formação do ethos iorubá e os trânsitos culturais no candomblé de matriz africana no Brasil, tomando como eixo analítico a relação entre mitologia, história, memória e identidade. O problema investigado parte do entendimento de que a cultura africana, em sua dispersão atlântica, não pode ser compreendida como um bloco homogêneo e estático, mas como um campo dinâmico de reinvenções, recomposições e continuidades simbólicas. Nesse sentido, a pesquisa procura evidenciar como os elementos mítico-simbólicos iorubás, a exemplo dos ilequés – colares sagrados -, longe de se reduzirem a narrativas e símbolos fabulosos ou explicações pré-científicas, estruturam formas de legitimidade, pertencimento e organização social tanto na África quanto na diáspora. A relevância da investigação reside na necessidade de enfrentar a invisibilização histórica produzida pelo colonialismo, que silenciou experiências, saberes e modos de vida de povos africanos traficados para as Américas. Ao tratar da formação do grupo iorubá e de sua permanência simbólica no Brasil, o estudo evidencia que memória e tradição operam como mecanismos de resistência, rearticulação identitária e continuidade cultural. O objetivo central consiste em analisar como a fusão entre mitologia e história contribui para a manutenção da identidade religiosa no candomblé de matriz iorubá no Brasil, por intermédio de seus símbolos sagrados. A hipótese que orienta a reflexão é a de que o terreiro de candomblé constitui um espaço privilegiado de preservação da memória coletiva afro-brasileira, no qual se atualizam vínculos ancestrais, redes de filiação ritual e formas específicas de sociabilidade. Desse modo, a pesquisa busca contribuir para o reconhecimento dos terreiros como espaços de produção de conhecimento, de resistência cultural e de afirmação da humanidade negra.
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Referências
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