"AQUI É A JEGA, A CAMA É DA TUA CASA": BRICOLAGEM ESTILÍSTICA E AGÊNCIA ENTRE MULHERES ENCARCERADAS
Palavras-chave:
Antilíngua, Bricolagem estilística, Gíria prisional, Mulheres encarceradas, SociolinguísticaResumo
No cárcere feminino, a linguagem não se limita à comunicação cotidiana, pois também atua como forma de proteção, pertencimento e resistência diante da opressão institucional. Nesse contexto, este estudo analisa o uso de gírias por mulheres custodiadas no Conjunto Penal de Jequié, na Bahia, observando como essas expressões ajudam a nomear experiências próprias da prisão e a enfrentar situações de violência, abandono e insalubridade. A pesquisa fundamenta-se nos estudos sobre antilíngua, instituição total, comunidade de prática, campo indexical e bricolagem estilística. Metodologicamente, adota uma abordagem qualitativa, de orientação etnográfica e sociolinguística, com observação participante, entrevistas sociolinguísticas livres e transcrição das marcas de oralidade. Os resultados indicam que as internas ressignificam palavras do português comum, como jega, rampa, fé e praia, transformando-as em recursos discursivos de sobrevivência psicossocial. Assim, a gíria prisional revela-se como uma prática linguística de agência, resistência e preservação da dignidade entre mulheres encarceradas.
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