"AQUI É A JEGA, A CAMA É DA TUA CASA": BRICOLAGEM ESTILÍSTICA E AGÊNCIA ENTRE MULHERES ENCARCERADAS

Autores

Palavras-chave:

Antilíngua, Bricolagem estilística, Gíria prisional, Mulheres encarceradas, Sociolinguística

Resumo

No cárcere feminino, a linguagem não se limita à comunicação cotidiana, pois também atua como forma de proteção, pertencimento e resistência diante da opressão institucional. Nesse contexto, este estudo analisa o uso de gírias por mulheres custodiadas no Conjunto Penal de Jequié, na Bahia, observando como essas expressões ajudam a nomear experiências próprias da prisão e a enfrentar situações de violência, abandono e insalubridade. A pesquisa fundamenta-se nos estudos sobre antilíngua, instituição total, comunidade de prática, campo indexical e bricolagem estilística. Metodologicamente, adota uma abordagem qualitativa, de orientação etnográfica e sociolinguística, com observação participante, entrevistas sociolinguísticas livres e transcrição das marcas de oralidade. Os resultados indicam que as internas ressignificam palavras do português comum, como jega, rampa, fé e praia, transformando-as em recursos discursivos de sobrevivência psicossocial. Assim, a gíria prisional revela-se como uma prática linguística de agência, resistência e preservação da dignidade entre mulheres encarceradas.

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Biografia do Autor

Valéria Viana Sousa, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Graduada em Letras pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (1993), possui especialização em Língua Portuguesa pelo PREPES/PUC - MG (2001) e doutorado em Letras, área de concentração em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB (2008). É professora titular da Area de Língua Portuguesa e Linguística (ALPL), no Departamento de Estudos Linguísticos e Literários (DELL), da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB desde 1996. Coordena o projeto de pesquisa ''Estudos de Fenômenos Linguísticos na Perspectiva Funcionalista a partir da descrição e análise de corpus da comunidade de fala de Vitória da Conquista'' e o projeto de pesquisa ''Investigação de fenômenos linguísticos à luz das teorias funcionalistas em interface com o ensino''. É líder do Grupo de Estudos em Linguística Histórica e em (Sócio) Funcionalismo (Grujpo Janus) - CNPq e coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Sociolinguística e em (Sócio)Funcionalismo - LAPESF-CEPELin- PPGLin/UESB. É membro do Núcleo de Estudos Linguísticos sobre o Português em Uso (PorUs), integrado por pesquisadores da UFF,USP, UFES. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística, Funcionalismo/Gramaticalização, Sociofuncionalismo e Linguística Funcional Centrada no Uso.

Eliane Souza Pereira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Mestre e Doutoranda em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB); Mestranda em Estudos Jurídicos pela MUST University (MUST); Especialista em Ensino de Língua Inglesa e Especialista em Educação Inclusiva pela Fasouza; Especialista em Direito Penal e Processual Penal e Especialista em Direito Civil e Processo de Execução pela Faculdade Única de Ipatinga; Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB); Licenciada em Letras - Português e Inglês pelo Centro Universitário UNIBTA Digital; membro do grupo de pesquisa de Estudos de Fenômenos Linguísticos na Perspectiva Sociofuncionalista a partir da descrição e análise de corpus da comunidade de fala de Vitória da Conquista; Professora efetiva de Língua Inglesa do Estado da Bahia. 

Referências

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Publicado

2026-11-04