“PRA NÃO TER ESSE EMBATE, MINHA PALAVRA CONTRA A SUA”: ENTRE A PERDA DA CONFIANÇA E A SUPREMACIA DA VIGILÂNCIA

Autores

Palavras-chave:

Conservadorismo, Disciplina, Vigilância

Resumo

O estudo analisa as disputas conceituais em torno da disciplina e a expansão dos sistemas de vigilância no cotidiano de escolas públicas da Educação Básica no Brasil, no âmbito de uma pesquisa internacional comparativa financiada pelo CNPq sobre alianças conservadoras. A investigação fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, orientada pela Análise Relacional de Michael Apple, e utiliza entrevistas semiestruturadas realizadas com docentes e gestores de escolas públicas de cinco cidades brasileiras, sendo quatro capitais e um município metropolitano. O referencial teórico articula as contribuições de Antonio Gramsci e Paulo Freire, que compreendem a disciplina como construção coletiva, autodomínio, solidariedade e condição para a aprendizagem democrática, em contraposição às concepções conservadoras que a associam à coerção, à padronização e ao controle dos corpos. Os resultados evidenciam que a instalação de câmeras de monitoramento, inclusive em salas de aula, tem sido gradualmente naturalizada pelos profissionais da educação como recurso de comprovação e mediação de conflitos com familiares, além de mecanismo de inibição de comportamentos. Essa aceitação revela tensões relacionadas à insegurança docente, à fragilização da autoridade pedagógica e à redução da confiança nas relações escolares, favorecendo a legitimação da vigilância e a restrição da privacidade de estudantes e professores sob o argumento da segurança. Conclui-se que a centralidade atribuída ao monitoramento eletrônico pode contribuir para a substituição do diálogo pedagógico por práticas de controle e desconfiança, comprometendo a autonomia docente e a formação crítica dos estudantes. Nesse sentido, destaca-se a importância de fortalecer uma perspectiva educativa dialógica, democrática e emancipadora, fundamentada no respeito mútuo e na construção coletiva da disciplina no espaço escolar.

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Biografia do Autor

Gabriel Dias dos Santos, Universidade Federal da Bahia/Bahia/Brasil

Mestrando em Política e Gestão da Educação pela Universidade Federal da Bahia - UFBA, Licenciado em Letras Português-Inglês pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Membro co-fundador do grupo de estudos e pesquisas em políticas educacionais Coletivo Redes, vinculado à FACED/UFRGS, e membro do grupo de estudos e pesquisas em políticas educacionais (GEPPOLE) vinculado à FACED/UFBA. Atuando na área de pesquisas em políticas conservadoras na educação básica, com foco em educação domiciliar e militarização da escola pública.

Catarina de Almeida Santos, Universidade de Brasília

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Goiás (1998), Especialização em Gestão da escola pública(2000) e mestrado em Educação (2002), pela mesma universidade, doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (2008) e Pós-Doutorado pela Unicamp (2020). Atualmente é professora associada da Universidade de Brasília, atua no Programa Pós-Graduação em Educação da UnB- Faculdade de Educação, é uma das coordenadoras da Rede Nacional de Pesquisa sobre Militarização da Educação- REPME, Vice Cocoordenadora da pesquisa POLÍTICAS DE MILITARIZAÇÃO DAS ESCOLAS PÚBLICAS BRASILEIRAS E SEUS DESDOBRAMENTOS NA GARANTIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO E NA FORMAÇÃO DA JUVENTUDE e coordena em Brasília a pesquisa O AVANÇO CONSERVADOR NA EDUCAÇÃO: como comunidades escolares articulam discursos hegemônicos conservadores. É Conselheira do Conselho Técnico Científico da Educação Básica (CTC-EB) da Capes e membro do Comitê Permanente de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gênero da Capes. Tem experiência na área de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: direito a educação, acesso e permanência, militarização da educação e das escolas, educação superior, qualidade da educação e educação a distância.

Willian Dalmagro Braga, Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ Porto Alegre/ Rio Grande do Sul/Brasil

Graduado em Letras, com ênfase em Português e Inglês e suas Literaturas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Membro co-fundador do grupo de estudos e pesquisas em políticas educacionais Coletivo Redes, vinculado à FACED/UFRGS. Atuou como professor no programa Idiomas sem Fronteiras, em cursos pré-vestibular populares e escolas da rede privada. Após isso, trabalhou como bolsista de iniciação científica na área de Políticas Educacionais, com enfoque em conservadorismo e militarização.

Referências

APPLE, Michael Whitman. Ideologia e Currículo. Tradução de Vinicius Figueira. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

FREIRE, Paulo; FREIRE, Ana Maria de Araujo. À sombra dessa mangueira. 15ª Edição, Rio de Janeiro, Paz & Terra, 2021.

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere: Volume II. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

LIMA, Iana Gomes de et al. O vocabulário do conservadorismo na educação brasileira: um glossário em construção. Currículo sem Fronteiras, v. 25, 1140, 2025.

SANTOS, Catarina de Almeida. Quem é contra é porque tá querendo reforçar a bandidagem: as razões dos agentes públicos para militarizar as escolas. In: UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Laboratório de Políticas Públicas. Meia-volta, volver. Rio de Janeiro: LPP-UERJ, 2026. No prelo.

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Publicado

2026-11-04