DISPOSITIVO DE RACIALIDADE E RACISMO RELIGIOSO NO SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO: O CÁRCERE COMO EPISTEMICÍDIO E A EDUCAÇÃO COMO PRÁXIS DE LIBERTAÇÃO
Palavras-chave:
Racismo religioso, Sistema prisional, Epistemicídio, Colonialidade do poder, EJA prisionalResumo
O artigo analisa o racismo religioso no sistema prisional brasileiro como mecanismo estruturante do dispositivo de racialidade (Carneiro, 2023), que impõe epistemicídio (Santos, 2010) sobre saberes e corpos negros. Com 68,2% da população carcerária negra (FBSP, 2024) e apenas quatro estados com terreiros cadastrados para assistência religiosa (Alma Preta, 2025), evidencia-se a seletividade estatal: enquanto o MPRJ (2015) documentou 81 igrejas evangélicas em presídios fluminenses, práticas afro-brasileiras são proibidas sob pretexto de "segurança". A pesquisa, de abordagem qualitativa e decolonial, analisa as Resoluções CNPCP nº 34/2024 e CNJ nº 598/2024, a decisão do STF na AP 2.508/DF (2025) e o PDL nº 229/2024, que busca sustar a vedação ao proselitismo estatal. Conclui-se que a Educação de Jovens e Adultos (EJA) prisional oscila entre a reprodução do apagamento e a práxis libertadora (Freire, 1987), sendo a descolonização curricular (Lei nº 10.639/2003) e a formação antirracista de agentes penitenciários caminhos para a superação do epistemicídio e para um cárcere menos opressor, onde a diferença deixe de ser crime.
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Referências
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