DISPUTAS DE MEMÓRIA NA NOVA (DES)ORDEM GLOBAL: OS SENTIDOS DE SOBERANIA NACIONAL NA DESIGNAÇÃO DO PCC E CV COMO TERRORISTAS

Autores

Palavras-chave:

Democracia, Soberania, Análise de discurso

Resumo

O estudo analisa as disputas discursivas e os efeitos de sentido relacionados à designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos, em meados de 2026, considerando suas implicações para a soberania nacional e a estabilidade democrática brasileira. A pesquisa insere-se no debate sobre a crise das democracias liberais e o avanço da extrema-direita, buscando compreender como a classificação internacional de grupos criminosos mobiliza sentidos de segurança, soberania e intervenção estrangeira no cenário político brasileiro. A fundamentação teórico-metodológica apoia-se na Análise de Discurso de matriz francesa, especialmente nos pressupostos de Michel Pêcheux e na categoria de memória discursiva proposta por Jean-Jacques Courtine. O corpus reúne publicações na plataforma X de pré-candidatos à Presidência da República, em junho de 2026, notícias do portal G1 e declarações de autoridades norte-americanas, considerando os desdobramentos da Ordem Executiva 14157. Os resultados apontam um deslocamento discursivo pelo qual o enfrentamento das facções criminosas passa a ser associado à segurança nacional dos Estados Unidos, ampliando o debate sobre mecanismos de inteligência e intervenção. No contexto brasileiro, identificam-se posições divergentes acerca da soberania: enquanto discursos governamentais enfatizam a autodeterminação nacional e a rejeição à subordinação externa, manifestações oposicionistas privilegiam a segurança pública e a proteção dos cidadãos para justificar a cooperação ou a intervenção estrangeira. Conclui-se que a designação de grupos criminosos como terroristas pode operar como instrumento de poder geopolítico, cujos efeitos discursivos repercutem nas disputas sobre soberania, segurança e autonomia estatal, evidenciando a importância de analisar criticamente os sentidos mobilizados na construção de ameaças e suas implicações para a democracia brasileira.

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Biografia do Autor

Milca Borges Luz, Secretaria de Educaçao do Estado da Bahia

Doutora em Linguística pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia; Mestre em Linguística pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia; Membro do Grupo de Pesquisa em Análise de Discurso (CNPq/Uesb); Graduada em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB - 2011); Especialista em Ensino de Língua Portuguesa pela Universidade Cândido Mendes (UCAM - 2015) e Especialista em Estudos Linguísticos e Literários pela Universidade Cândido Mendes (UCAM - 2015). Participa do Grupo de Pesquisa em Análise de Discurso - GPADis. Atualmente é professora da Rede Estadual de Ensino, onde ministra aulas de Língua Portuguesa, Literatura e Redação.

Marilza Ferreira do Nascimento, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ Bahia/ Brasil

Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade, pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB); Mestre em Ciência Jurídica e Ciência da Administração, pela Universitá degli Studi di Bologna, Itália; Bacharela em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professora de Direito da UESB, atua nas áreas de Direito Administrativo, Direito Estadual, Direito Municipal e Educação Superior, Memória e Violência contra a mulher. 

Referências

ACHARD, P. Memória e produção discursiva do sentido. Tradução e introdução de José Horta. In: ACHARD, Pierre. e outros. Papel da memória. Campinas-SP: Pontes, 2015. p. 43-51. Edição original: 1983.

LUZ, Milca Borges. Efeitos-sentido do slogan “Deus, pátria e família” no jogo discursivo entre memória e atualidade. Orientadora Maria da Conceição Fonseca-Silva. 2023. 177 f. Tese (doutorado – Programa de Pós-Graduação em Linguística) – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, 2023.

NASCIMENTO, Marilza Ferreira do. O Ministério Público Federal na posição-sujeito promotor de ações penais públicas em casos da operação Lava Jato: um recorte de memória em gestos de interpretação. Orientadora Maria da Conceição Fonseca-Silva. 2023. Tese (Doutorado em Memória: Linguagem e Sociedade) – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, 2023.

PÊCHEUX, M. Análise Automática do Discurso (1969). In: GADET, F; HAK, T. Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas/SP: Editora da UNICAMP, 2014. p. 59-158.

PÊCHEUX, M. Papel da Memória. Tradução e introdução de José Horta. In: ACHARD, Pierre. e outros. Papel da memória. Campinas-SP: Pontes, 2015. p. 43-51.

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Publicado

2026-11-04