DISPUTAS DE MEMÓRIA NA NOVA (DES)ORDEM GLOBAL: OS SENTIDOS DE SOBERANIA NACIONAL NA DESIGNAÇÃO DO PCC E CV COMO TERRORISTAS
Palabras clave:
Democracia, Soberania, Análise de discursoResumen
O estudo analisa as disputas discursivas e os efeitos de sentido relacionados à designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos, em meados de 2026, considerando suas implicações para a soberania nacional e a estabilidade democrática brasileira. A pesquisa insere-se no debate sobre a crise das democracias liberais e o avanço da extrema-direita, buscando compreender como a classificação internacional de grupos criminosos mobiliza sentidos de segurança, soberania e intervenção estrangeira no cenário político brasileiro. A fundamentação teórico-metodológica apoia-se na Análise de Discurso de matriz francesa, especialmente nos pressupostos de Michel Pêcheux e na categoria de memória discursiva proposta por Jean-Jacques Courtine. O corpus reúne publicações na plataforma X de pré-candidatos à Presidência da República, em junho de 2026, notícias do portal G1 e declarações de autoridades norte-americanas, considerando os desdobramentos da Ordem Executiva 14157. Os resultados apontam um deslocamento discursivo pelo qual o enfrentamento das facções criminosas passa a ser associado à segurança nacional dos Estados Unidos, ampliando o debate sobre mecanismos de inteligência e intervenção. No contexto brasileiro, identificam-se posições divergentes acerca da soberania: enquanto discursos governamentais enfatizam a autodeterminação nacional e a rejeição à subordinação externa, manifestações oposicionistas privilegiam a segurança pública e a proteção dos cidadãos para justificar a cooperação ou a intervenção estrangeira. Conclui-se que a designação de grupos criminosos como terroristas pode operar como instrumento de poder geopolítico, cujos efeitos discursivos repercutem nas disputas sobre soberania, segurança e autonomia estatal, evidenciando a importância de analisar criticamente os sentidos mobilizados na construção de ameaças e suas implicações para a democracia brasileira.
Descargas
Citas
ACHARD, P. Memória e produção discursiva do sentido. Tradução e introdução de José Horta. In: ACHARD, Pierre. e outros. Papel da memória. Campinas-SP: Pontes, 2015. p. 43-51. Edição original: 1983.
LUZ, Milca Borges. Efeitos-sentido do slogan “Deus, pátria e família” no jogo discursivo entre memória e atualidade. Orientadora Maria da Conceição Fonseca-Silva. 2023. 177 f. Tese (doutorado – Programa de Pós-Graduação em Linguística) – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, 2023.
NASCIMENTO, Marilza Ferreira do. O Ministério Público Federal na posição-sujeito promotor de ações penais públicas em casos da operação Lava Jato: um recorte de memória em gestos de interpretação. Orientadora Maria da Conceição Fonseca-Silva. 2023. Tese (Doutorado em Memória: Linguagem e Sociedade) – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, 2023.
PÊCHEUX, M. Análise Automática do Discurso (1969). In: GADET, F; HAK, T. Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas/SP: Editora da UNICAMP, 2014. p. 59-158.
PÊCHEUX, M. Papel da Memória. Tradução e introdução de José Horta. In: ACHARD, Pierre. e outros. Papel da memória. Campinas-SP: Pontes, 2015. p. 43-51.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Colóquio Nacional e Colóquio Internacional do Museu Pedagógico da UESB

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Você é livre para:
Compartilhar - copia e redistribui o material em qualquer meio ou formato; Adapte - remixe, transforme e construa a partir do material para qualquer propósito, mesmo comercialmente. Esta licença é aceitável para Obras Culturais Livres. O licenciante não pode revogar essas liberdades, desde que você siga os termos da licença.
Sob os seguintes termos:
Atribuição - você deve dar o crédito apropriado, fornecer um link para a licença e indicar se alguma alteração foi feita. Você pode fazer isso de qualquer maneira razoável, mas não de uma forma que sugira que você ou seu uso seja aprovado pelo licenciante.
Não há restrições adicionais - Você não pode aplicar termos legais ou medidas tecnológicas que restrinjam legalmente outros para fazer qualquer uso permitido pela licença.