NOVA (DES)ORDEM GLOBAL E DIREITO ELEITORAL: AUTORITARISMO E RESISTÊNCIA NA DERIVA DO ANALÓGICO AO ALGORÍTMICO (1965–2021)

Autores

Palavras-chave:

Análise de Discurso, Materialidade Algorítmica, Discurso Jurídico, Memória Discursiva, Deriva de Sentido

Resumo

O presente trabalho analisa os deslocamentos e as derivas de sentido dos termos “desordem” e “fraude” no discurso jurídico-normativo brasileiro, considerando as transformações nas condições de produção e circulação dos discursos, do contexto analógico ao ambiente digital. Vinculada ao projeto temático Memória, efeitos de verdade e efeitos de justiça em crimes de corrupção e em crimes sexuais, a pesquisa fundamenta-se na Análise de Discurso materialista e toma como arquivo analítico textos da legislação eleitoral e penal brasileira, com ênfase no Código Eleitoral de 1965 (Lei nº 4.737/1965) e na Lei nº 14.197/2021. Metodologicamente, mobiliza os conceitos de condições de produção, interdiscurso, formação discursiva, memória discursiva, opacidade, historicidade da língua, deriva e deslizamento de sentido. A análise evidencia que, no contexto analógico, os significantes “desordem” e “fraude” estavam associados, predominantemente, ao controle dos corpos, à ocupação de espaços físicos e à manipulação material dos votos. Com a expansão das redes digitais e a intensificação da circulação algorítmica de discursos, esses sentidos deslocam-se para fenômenos como a disseminação automatizada de enunciados e a disputa por efeitos de verdade. Nesse cenário, as iniciativas de regulação jurídica expressam tensões entre a tentativa institucional de estabilização dos sentidos e a incompletude constitutiva da linguagem, evidenciando disputas em torno dos limites da intervenção estatal e dos riscos de censura. Conclui-se que a análise discursiva permite compreender a insuficiência das tentativas de controle absoluto da significação diante da opacidade e da equivocidade da língua, cujas derivas desafiam a estabilidade da memória jurídica e revelam contradições da nova (des)ordem global.

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Biografia do Autor

Beatriz Pereira de Jesus, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Advogada, graduada em Direito em 2024. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), com ingresso em 2025. Atualmente, desenvolve pesquisas na área de Memória, Linguagem e Sociedade, com interesse em História, Justiça Eleitoral, Democracia e Direitos Humanos. Em 2026, iniciou as especializações em Processo Civil, Direito Civil e Direito Eleitoral.

Maria da Conceição Fonseca-Silva, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia , BA, Brasil.

Maria da Conceição Fonseca-Silva é Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2003). Mestre em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (1998). Realizou estágio de pós-doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2006/2007). É Pesquisadora nível 2 do CNPq. Atualmente é professora Titular/Pleno do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, onde atua como professora pesquisadora do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin-Uesb) e do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMEMORIALS-Uesb). Atuou na Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMEMORIALS-Uesb), desde a implantação do curso de mestrado em 2008 ate fevereiro de 2013, início do segundo ano da implantação do curso de doutorado e como vice-coordenadora do respectivo Programa até dezembro de 2016. Está coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Linguística desde 2017. É co-editora do periódico Estudos da Língua(gem). É líder do Grupo de Pesquisa em Análise de Discurso; (GPADis/Uesb/CNPq) e do Grupo de Pesquisa em Estudos da Língua(gem); (GPEL/Uesb/CNPq). Tem experiência na área de disciplinar de Linguística e na área multidisciplinar de Memória, com ênfase em Análise de Discurso, atuando principalmente nos seguintes temas: posição-sujeito, efeitos-sentido, efeitos de memória, efeitos de justiça, discurso político e discurso jurídico, corrupção política, violência sexual. 

Referências

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Publicado

2026-11-04