A POTÊNCIA TRANSFORMADORA DE FRIDA KAHLO: UM DIÁLOGO CONEXO ENTRE ARTE E PSICANÁLISE

Autores/as

Palabras clave:

Arte, Memória, Resistência, Trauma, Corpo

Resumen

O presente trabalho analisa como Frida Kahlo se relaciona com os traumas decorrentes do grave acidente que sofreu aos 18 anos, à luz da teoria psicanalítica de Freud e da leitura foucaultiana de resistência. Kahlo tem uma biografia marcada por inúmeros autorretratos e expressa em suas obras constantemente as sequelas deixadas em seu corpo — feridas, fraturas, imobilizações — transformadas em imagens. A partir da repetição dessas marcas nas pinturas, discutimos duas possibilidades formuladas por Freud: se Frida repete por não conseguir recordar plenamente o trauma, como descrito na obra Recordar, repetir e elaborar, ou se essa repetição funciona como uma tentativa de dominar simbolicamente o incontrolável, conforme a lógica apresentada em Além do princípio do prazer. Sinalizamos, ainda, a possibilidade de compreender sua produção artística, à luz de Foucault — especialmente nas relações entre corpo, discurso e norma —, como prática que tensiona os dispositivos que regulam o corpo feminino e enfermo. Assim, buscamos compreender de que modo a artista reinscreve sua experiência traumática na arte, convertendo dor em criação e gesto estético.

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Biografía del autor/a

Marília Santos Silva, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Possui graduação em Filosofia (Licenciatura) pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2024). Mestranda no Programa de Pós-graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS), da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), sob orientação da Profa. Dra. Caroline Vasconcelos Ribeiro. 

Caroline Vasconcelos Ribeiro, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal de São João del-Rei (1997), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba (2000) e doutorado em Filosofia (2008) e pós-doutorado em Filosofia (2018) pela UNICAMP, sob a orientação do professor Dr. Zeljko Loparic. É Professora Plena da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Docente no Programa de Pós-graduação em Memória Linguagem e Sociedade (PPGMLS) Tem experiência na área de Filosofia Contemporânea, Metafísica, Filosofia da Psicanálise, Psicanálise Winnicottiana e nos Estudos sobre a Memória

Citas

BLOSS, G. M.; MARSILLAC, A. L. M. O diário de Frida Kahlo em questão: corpo e trauma. Cad. psicanal. [online]. 2018, vol.40, n.39.

FREUD, S. Recordar, repetir e elaborar. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. XII.

FREUD, S. Além do princípio de prazer. Tradução Renato Zwick. São Paulo: L&PM, 2019.

FOUCAULT, M. História da Sexualidade: A Vontade de Saber. Rio de Janeiro: Graal, 2019.

HERRERA, H. Frida: a biografia. São Paulo: Globo, 2011.

KAHLO, F. O diário de Frida Kahlo: um autorretrato íntimo. Rio de Janeiro: José Olympio, 2015.

RICO, A. Frida Kahlo: fantasía de un cuerpo herido. México: Plaza y Valdés, 1987.

RIBEIRO, C. V; COSTA JÚNIOR, J. I. O corpo como lugar de memórias: considerações sobre obras de Frida Kahlo a partir de Heidegger e Freud. In: FONSECA, E. R.; FERNANDES, M. F. Pluralismo em Filosofia e psicanálise. Toledo, PR: Instituto Querer Saber, 2024.

Publicado

2026-11-04