RESISTÊNCIA EM CANÇÕES DE MATRIZES NEGRAS NO BRASIL: UMA ANÁLISE SEMIÓTICA E RÍTIMICA

Autores/as

Palabras clave:

Resistência cultural, Música negra, Canções negras

Resumen

A pesquisa analisa a canção brasileira sob a perspectiva da semiótica, com foco no equilíbrio entre fala e melodia — o chamado "cálculo subjetivo" (Tatit, 2014) —, discutindo a categorização das canções conforme sua expressividade e destacando a síncope e a imparidade rítmica, características da música brasileira, como heranças fundamentais das matrizes africanas Bantu e Iorubá. De cunho bibliográfico e documental, o estudo articula textos de referência sobre música brasileira e afro-brasileira em uma dupla perspectiva: teórica (conceitos de canção, subjetividade, síncope e imparidade rítmica, com base em Tatit, 2014, Antônio Cícero, 2001, e Sandroni, 2001) e etnomusicológica (aspectos rítmicos, instrumentais, temáticos e religiosos, com base em Teles, 1997, e Carvalho, 2006), compreendendo a música como ferramenta de resistência e reconstrução identitária para as populações negras.

Os resultados discutem como a síncope, entendida na música brasileira não como desvio, mas como norma estrutural, fundamenta-se na imparidade rítmica de origem africana, em contraste com a lógica binária europeia, e como o samba emergiu, a partir dos batuques do século XIX na Pequena África carioca, como expressão máxima dessa assimetria rítmica, consolidando-se, sobretudo a partir do Paradigma do Estácio, como sistema musical completo e como ferramenta de resistência cultural. Discute-se, ainda, a contribuição das vertentes africanas Iorubá — mais preservada no âmbito religioso — e Bantu — mais sincrética e voltada ao cotidiano secular, geradora de gêneros como o samba, o jongo e a capoeira. Conclui-se que a caracterização da música brasileira não pode ser dissociada da matriz africana, que introduziu uma lógica de ritmos aditivos e de imparidade rítmica capaz de redefinir os padrões da canção nacional, evidenciando a resistência cultural afro-brasileira.

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Biografía del autor/a

Marília Flores Seixas de Oliveira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Marília é Pós-Doutora em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia (POSAFRO-UFBA), Doutora em Desenvolvimento Sustentável / Gestão Ambiental pela Universidade de Brasília (CDS/UnB), com Mestrado em Desenvolvimento Sustentável (CDS/UnB), Especialização em Leitura: Teoria e Prática (UESB) e Graduação em Letras com Inglês e Literatura (UESB). É professora Plena do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e coordena o Grupo de Pesquisa Cultura, Ambiente e Sociedade: Linguagem e Design Social (CASLIDS - UESB/CNPq). Tem experiência de pesquisa nas áreas de Linguagem, Cultura Brasileira, Culturas afro-brasileiras, Desenvolvimento Sustentável, Inovação e Interdisciplinaridade. Foi bolsista de extensão no país (EXP-A) pelo CNPq, atuando como orientadora de produção de artigos dos Agentes Locais de Inovação (ALI-BA/Sebrae-CNPq).

Paulo Cézar Lisboa Cerqueira, UESB

Mestre em Ciências Sociais, Professor do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade do Sudoeste da Bahia / DFCH-UESB

Mariana Jamile Santiago Cruz, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Bolsista de Iniciação Científica e graduanda do curso de Licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Citas

CARVALHO, José Jorge de. A tradição musical Iorubá no Brasil: um cristal que se oculta e revela. In: TUGNY, Rosângela Pereira de; QUEIROZ, Ruben Caixeta de (org.). Músicas africanas e indígenas no Brasil. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006. p. 265-296.

CARVALHO, José Jorge de. Um panorama da música afro-brasileira. Parte I: dos gêneros tradicionais aos primórdios do samba. Brasília: Departamento de Antropologia, 2000. (Série Antropologia, n. 275).

CICERO, Antonio. Letra de música. Revista Cultura Brasileira Contemporânea: Música Popular Brasileira, Rio de Janeiro, Fundação Biblioteca Nacional, ano 1, n. 1, nov. 2006.

SANDRONI, Carlos. Feitiço decente: transformações do samba no Rio de Janeiro, 1917-1933. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.: Ed. UFRJ, 2001.

SANTOS, Jocélio Teles dos. Divertimentos estrondosos: batuques e sambas no século XIX. In SANSONE, Livio; SANTOS, Jocélio Teles dos (org.). Ritmos em trânsito: sócio-antropologia da música baiana. São Paulo: Dynamis Editorial; Salvador: Programa A Cor da Bahia; Projeto S.A.M.B.A., 1997.

TATIT, Luiz. O “cálculo” subjetivo dos cancionistas. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, n. 59, p. 369-386, dez. 2014.

Publicado

2026-11-04