A PERVERSIDADE DA GLOBALIZAÇÃO E AS NOVAS MORFOLOGIAS DO TRABALHO: PRECARIZAÇÃO, GÊNERO, RAÇA E RESISTÊNCIAS ENTRE ENTREGADORAS POR APLICATIVO

Autores/as

Palabras clave:

Plataformização, Precarização laboral, Gênero, Resistência, Perversidade da globalização

Resumen

O trabalho analisa as profundas transformações no mundo do trabalho decorrentes da expansão das plataformas digitais. Para isso, articula o conceito de "globalização perversa" de Milton Santos à precarização laboral vivenciada por mulheres entregadoras por aplicativo. Diante de uma reestruturação produtiva que transfere riscos aos trabalhadores e consolida o que Ricardo Antunes define como "escravidão digital", adota-se uma abordagem qualitativa e exploratória para evidenciar como as desigualdades de gênero e raça são intensificadas nesse cenário. Os dados apontam para uma acentuada sub-representação feminina no setor, correspondendo a apenas 2% do total de entregadores em 2024, motivada por fatores como violência de gênero, assédio, restrições de mobilidade e a sobrecarga da dupla jornada de cuidados domésticos. Nesse contexto, as mulheres negras enfrentam camadas adicionais de exploração, que vão desde a discriminação algorítmica até a concentração nas modalidades de entrega mais desgastantes, como o uso de bicicletas. Contudo, a pesquisa revela que essa severa precarização não anula a agência social das trabalhadoras; pelo contrário, impulsiona a criação de redes de solidariedade e coletivos de apoio mútuo, como o "Minas no Trecho". Sinaliza-se, assim, a viabilidade concreta de "uma outra globalização" erguida a partir das resistências coletivas.

 

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Biografía del autor/a

Givanei Lima Dias Júnior, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Graduando em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), tendo iniciado sua formação jurídica na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Atualmente é pesquisador e membro do OLARIA - Grupo de Pesquisa em Trabalho, Direito e Democracia (UESB/CNPq), integrante do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde Equidade (SGTES), monitor das disciplinas Direito Civil e Direito do Trabalho, na UESB, e estagiário no Tribunal de Justiça da Bahia. Foi monitor da disciplina Legislação Social e Direito do Trabalho (UESB), e estagiário na Advocacia-Geral da União e no escritório Meira Meira Advogados Associados.

Lavínia Thereza Neves Silva Lima, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Advogada. Mestranda em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), vinculada à linha de pesquisa Sociedade, Políticas Públicas e Sustentabilidade. Docente pela Faculdade Independente do Vale do Paramirim (2025/2026). Pós-graduada em Direito Processual Civil e Direito do Trabalho pela Faculdade Iguaçu. Pós-graduanda em Relações Sociais e Novos Direitos pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Graduada em Direito pela Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB). Pesquisadora integrante do OLARIA - Grupo de Pesquisa em Trabalho, Direito e Democracia, vinculado à Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), com Projeto de Pesquisa intitulado Pós-Democracia e Direito do Trabalho. Coordenadora do Projeto de Pesquisa ''Cidadania em Quadrinhos'', vinculado à UFOB. Integrante do Projeto de Pesquisa ''Neoliberalismo e Ludopatia no Brasil: como o mercado de jogos de apostas promove o vício'', vinculado à UFOB. Coordenou o grupo de estudos e o projeto de pesquisa Meios Alternativos de Solução de Conflitos, vinculado à Faculdade Independente do Vale do Paramirim (FAIVALE) e ao Centro Judiciário de Solução Consensual de Conflitos de Paramirim (CEJUSC). Bolsista de Monitoria pela Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB). Estagiária na Delegacia de Homicídios (DISEP), em Barreiras/BA (2019/2020). Estagiária pelo estágio obrigatório da UFOB no Ministério Público Federal (MPF), em Barreiras (2023). Estagiária em escritório de advocacia (2021/2021). Estagiária no CEJUSC de Paramirim (2022/2023).

Maria Soledade Soares Cruzes , Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Doutora em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestra em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), tendo atuado, como Pesquisadora-Bolsista pela FAPESB. Possui Pós-graduação Lato Sensu em Direito Processual: Grandes Transformações, pela UNAMA/Rede LFG (2007). Graduada em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). É professora, em regime de dedicação exclusiva, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Professora efetiva do Programa de Pós-graduação em Direito em formato associativo UEFS/UESB/UESC/UNEB. Pesquisadora líder do OLARIA - Grupo de Pesquisa em Trabalho, Direito e Democracia (UESB) e responsável pelo projeto de pesquisa Pós-democracia e Direito do Trabalho no Brasil: análise sob a perspectiva da Reforma Trabalhista. Professora Tutora do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET/Saúde - Equidade - 2025/2026). Áreas de interesse: Direito do Trabalho; Territorialidade; Democracia e Pós-democracia.

Citas

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DIAMANTE, Bárbara. "Quem são e o que querem as lideranças femininas dos movimentos de entregadores por app". Brasil de Direitos. Data da publicação: 6 nov. 2025. Disponível em: <https://www.brasildedireitos.org.br/atualidades/quem-sao-e-o-que-querem-as-liderancas-femininas-dos-movimentos-de-entregadores-por-app>. Acesso em 13 jun. 2026.

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SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 32. ed. Rio de Janeiro; São Paulo: Record, 2021.

Publicado

2026-11-04