A PERVERSIDADE DA GLOBALIZAÇÃO E AS NOVAS MORFOLOGIAS DO TRABALHO: PRECARIZAÇÃO, GÊNERO, RAÇA E RESISTÊNCIAS ENTRE ENTREGADORAS POR APLICATIVO
Palabras clave:
Plataformização, Precarização laboral, Gênero, Resistência, Perversidade da globalizaçãoResumen
O trabalho analisa as profundas transformações no mundo do trabalho decorrentes da expansão das plataformas digitais. Para isso, articula o conceito de "globalização perversa" de Milton Santos à precarização laboral vivenciada por mulheres entregadoras por aplicativo. Diante de uma reestruturação produtiva que transfere riscos aos trabalhadores e consolida o que Ricardo Antunes define como "escravidão digital", adota-se uma abordagem qualitativa e exploratória para evidenciar como as desigualdades de gênero e raça são intensificadas nesse cenário. Os dados apontam para uma acentuada sub-representação feminina no setor, correspondendo a apenas 2% do total de entregadores em 2024, motivada por fatores como violência de gênero, assédio, restrições de mobilidade e a sobrecarga da dupla jornada de cuidados domésticos. Nesse contexto, as mulheres negras enfrentam camadas adicionais de exploração, que vão desde a discriminação algorítmica até a concentração nas modalidades de entrega mais desgastantes, como o uso de bicicletas. Contudo, a pesquisa revela que essa severa precarização não anula a agência social das trabalhadoras; pelo contrário, impulsiona a criação de redes de solidariedade e coletivos de apoio mútuo, como o "Minas no Trecho". Sinaliza-se, assim, a viabilidade concreta de "uma outra globalização" erguida a partir das resistências coletivas.
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Citas
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