MEMÓRIAS E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE O USO DE DROGAS ENTRE PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Autores/as

Palabras clave:

Pessoas em situação de rua, Uso de drogas, Representações sociais, Memória, Revisão

Resumen

O trabalho tem como objetivo geral analisar como a produção científica brasileira tem abordado as memórias e representações sociais relacionadas ao uso de drogas por pessoas em situação de rua, ancorando-se nas contribuições de Denise Jodelet (2001) sobre representações sociais e de Maurice Halbwachs (2006) sobre a construção social da memória. Trata-se de pesquisa qualitativa de caráter bibliográfico, com coleta de dados na base Google Acadêmico mediante descritores e operadores booleanos combinando "drogas", "memória", "representações sociais", "pessoas em situação de rua", "história" e "ciências sociais", recorte temporal de 2015 a 2025 e critérios de inclusão que resultaram em um corpus de 41 estudos, agrupados em três categorias temáticas recorrentes.

Os resultados evidenciam, na primeira categoria, a relação ambivalente entre pessoas em situação de rua e substâncias psicoativas, percebidas simultaneamente como entidade destruidora e como ferramenta de prazer, alívio e sobrevivência; na segunda categoria, o papel da mídia na construção de representações estigmatizantes que associam essa população à violência e à drogadição, silenciando suas vozes; e, na terceira categoria, a racionalidade proibicionista historicamente adotada pelo Estado brasileiro, marcada pelo controle e pela exclusão em detrimento do cuidado em liberdade, e pelo estigma que atravessa o imaginário dos agentes públicos. Conclui-se que o consumo de drogas por essa população não pode ser compreendido apenas como dependência química ou desvio moral, mas como prática social situada em contextos extremos de vulnerabilidade, na qual memórias individuais e coletivas de abandono, violência e invisibilidade contribuem para a manutenção do estigma, reforçando práticas de exclusão e dificultando o acesso a direitos básicos.

 

 

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Biografía del autor/a

Luana Novais Campos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Graduada em Direito pela Universidade Estadual da Bahia. Mestrado em Memória: Linguagem pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB, Brasil.

Carlos Augusto Sousa Dantas, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Doutor em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Mestre em Memória: Linguagem e Sociedade. Graduado em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Campus de Vitória da Conquista - BA. Foi bolsista de Iniciação Científica pelo PIBIC UESB entre 2015 e 2016, e pela FAPESB entre 2016-2017, onde desenvolveu pesquisas com foco na temática das drogas. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Gênero, Políticas, Álcool e Drogas (GePAD). Realiza pesquisas no campo multidisciplinar dos estudos em memória, com ênfase nos temas relacionados à memória social e coletiva, representações sociais, uso e tráfico de drogas.

Luci Mara Bertoni, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Pedagoga, com Mestrado e Doutorado em Educação Escolar (UNESP). Pós-doutorado na Universidade de Brasília (UnB) e na Universidade de Santiago de Compostela (USC/Espanha). Atualmente, é Professora Plena do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas e Docente no Programa de Pós Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB - no campus de Vitória da Conquista. Membro do Comitê Científico CRIA Ciência (SENAD/MJ). Tem experiência na área de Educação, atuando nos seguintes temas: educação, política educacional, representações sociais, memória, gênero, álcool e drogas. É líder do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Gênero, Políticas, Álcool e Drogas - GePAD - vinculado ao Museu Pedagógico da UESB e ao Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS/UESB).

Citas

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Publicado

2026-11-04