LIMITES DA EQUIDADE: REPRESENTATIVIDADE TRANS E ENCARCERAMENTO NO PNLD LITERÁRIO 2026

Autores/as

Palabras clave:

Educação em prisões, Pessoas trans, Remição de pena pela leitura, PNLD Equidade, Currículo

Resumen

 

O trabalho analisa o PNLD Literário Equidade 2026 – Objeto 1, destinado à Educação de Jovens e Adultos (EJA), com o objetivo de identificar a presença de obras de autoria trans, obras com protagonismo trans e produções relacionadas à experiência da privação de liberdade, buscando compreender em que medida os acervos contemplam sujeitos historicamente marginalizados e quais implicações essas presenças ou ausências produzem para as políticas de leitura no cárcere. Fundamentado na articulação entre Estudos de Gênero, Estudos Queer, teorias críticas do currículo e produção acadêmica sobre educação prisional — dialogando com Butler (2023), Bento (2017), Louro (2018), Silva (2017), Foucault (2014) e Julião (2020) —, o estudo, de caráter qualitativo, documental e exploratório, constituiu seu corpus a partir do catálogo do PNLD mencionado e de material público complementar (guias digitais, resenhas pedagógicas e documentos de divulgação), organizado em matriz analítica orientada por categorias relativas a autoria e protagonismo trans, representação da diversidade de gênero e do encarceramento.

Os resultados evidenciam avanços na ampliação da diversidade dos acervos literários no que se refere a relações étnico-raciais, povos indígenas e quilombolas e direitos humanos; entretanto, não foi possível identificar produções de autoria trans ou de pessoas privadas de liberdade, tampouco obras com protagonismo explicitamente trans ou travesti, revelando um processo de inclusão heterogêneo que mantém determinados grupos em posições periféricas de representação. À luz de Foucault (2014) e Butler (2023), discute-se que essa ausência configura uma terceira camada de invisibilização para pessoas trans encarceradas, somando-se às barreiras de evasão escolar anteriores ao cárcere e às restrições educacionais durante o cumprimento da pena. Conclui-se que os achados apontam para a necessidade de ampliação dos critérios de diversidade nos processos de seleção de obras do PNLD e de constituição de acervos mais plurais nas políticas de educação prisional e remição de pena pela leitura, reafirmando que a equidade curricular não se restringe ao acesso aos livros, mas envolve reconhecimento e representação da pluralidade dos sujeitos.

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Biografía del autor/a

Andréa Maria Brandão Meireles, Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus, Bahia, Brasil

Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (1996), com especializações em Psicopedagogia (1999), Educação e Relações Étnico-Raciais (2008) e Mídias na Educação (2022). Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2012) e Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação (Doutorado Profissional) da UESC. Integra o Grupo de Estudos e Pesquisa em Comunicação e Educação (GEPeCE). Atua como coordenadora pedagógica da Rede Estadual de Ensino da Bahia, no Conjunto Penal de Itabuna, e como pedagoga da Prefeitura Municipal de Ilhéus. Desenvolve pesquisas e práticas nas áreas de educação de jovens, adultos e idosos; educação em contextos de privação de liberdade; Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação- TDIC; educação do campo; alfabetização; formação de professores; ações afirmativas e processos de aprendizagem.

Gisele Brandão Silva, Secretaria de Educação do Estado da Bahia, Bahia, Brasil

Possui mestrado profissional em Letras pela Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC (2019), pós-graduação(especialização) em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela Faculdade do Noroeste de Minas - FINOM (2012) e graduação em Letras pela Universidade Estadual de Santa Cruz (2009) e em Psicologia pela Faculdade Anhanguera de Itabuna (2025). Atualmente é professora da rede estadual de ensino do Estado da Bahia.

Renata Tereza Brandão Meireles, Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, Policia Militar da Bahia, Bahia, Brasil

Possui graduação em PEDAGOGIA pela Universidade Estadual de Santa Cruz (2005), Especialista em Educação e Relações Etnico-Raciais, mestrado em Memória:Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2016).Doutora em Memória: Linguagem e Sociedade. Atua como instrutora do Programa Educacional de Resistência às Drogas - PROERD,desenvolvido pela Policia Militar da Bahia desde 2008. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: prevenção às drogas, gênero, afirmação e temática afro-brasileira.

Citas

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRAVESTIS E TRANSEXUAIS DO BRASIL (ANTRA). Dossiê Trans Brasil: um olhar acerca do perfil de travestis e mulheres transexuais no sistema prisional. Coordenação: Bruna Benevides. 1. ed. Brasília, DF: Distrito Drag; ANTRA, 2022. ISBN 978-85-906774-7-5. Disponível em: ANTRA – Dossiê Trans Brasil. Acesso em: 31 maio 2026.

BENTO, Berenice. Transviad@s: gênero, sexualidade e direitos humanos. Salvador: EDUFBA, 2017.

BRASIL. Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Edital de convocação para o processo de inscrição e avaliação de obras didáticas, pedagógicas e literárias para o Programa Nacional do Livro e do Material Didático – PNLD Equidade. Brasília: MEC/FNDE, 2024.

BRASIL. Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. PNLD Literário Equidade 2026: catálogo de obras literárias – Objeto 1 – Educação de Jovens e Adultos (EJA). Brasília: MEC/FNDE, 2025.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 24. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2023.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. 42. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.

JULIÃO, Elionaldo Fernandes. Educação para jovens e adultos em situação de restrição e privação de liberdade no Brasil. Curitiba: CRV, 2020.

LOURO, Guacira Lopes. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. 3. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.

MEDEIROS, Estéfani Barbosa de Oliveira; CADONÁ, Eliane. Vivências de pessoas transgênero na educação básica: uma revisão da literatura. Revista Diversidade e Educação, Rio Grande, v. 12, n. 1, p. 417-441, 2024.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 3. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.

Publicado

2026-11-04